04/02/2022
O Menino e a Caixa (Victor Fernan)
Continua... Continuo... Continue...
Assim o menino caminha em busca de se perder no encontro
Terrível estrada sem seguras fronteiras que atravessa um mar de inseguranças
Uma luta constante do velho menino com o menino velho
O desafio está em viver um mundo redondo sem cantos para se esconder
Caixas já não lhe falam, apesar de insistirem em redobrá-lo
Desnudando suas multiformas e visitando um desconhecido em si mesmo
Com cores, formas e questões foi invadido e nutrido pela LIBERDARTE
Precisou rever, sentir, reconstruir uma construção que já não lhe construía
Cada rompimento doeu a alma disforme que já não sabia ser livre, orgânica
O menino perdeu-se em montanhas de caixas que o afogavam em quinas
Caixas já não o aguentavam mais, estouravam a cada investida no novo
Um mundo todo construído em quadrados precisou ser circundado
Um dia tudo arrebentou, sua segura caixa não segurou, não resistiu
Com uma cabeça que já não suportava o peso de tantas caixas e queixas
Estava cada vez maior, com uma visão maior, com um coração maior
Mesmo que as caixas fossem sua segurança e base, já não cabia nelas
Já não sabia viver sem elas, eram o norte e o sul de sua limitada visão
A compulsão por caixas e mais caixas, e caixas, já era sua reta rotina
Caixas e caixas eram criadas por ele, empilhadas em sua cabeça
Cada vez mais prensado em uma caixa que não o pertencia
Lá ele foi colocado, criado e alimentado, crescido e enformado.
Caixa apertada, cantos regulares, abafados, paredes retas e acastelares
Uma caixa. Em uma caixa. Um menino e uma caixa. Um menino.
Era uma vez um menino que morava em uma caixa, que vivia uma caixa.
(Também pode ser lida com a ordem dos versos do fim para o o início)
Dessa vez, a arte foi inspirada em minha nova poesia escrita recentemente para o festival Pílulas de Poesia da
Você conhece alguém que vive ou viveu caixas? Você, talvez? Já saiu de suas caixas?
Conte sua impressão sobre a pessoa e a arte, adoro saber! 😊✨