10/10/2022
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Casos como o de Hugo Chávez na Venezuela, de Ortega na Nicarágua, de Viktor Orbán na Hungria e de Erdogan na Turquia mostram que, na maior parte das vezes, o líder com ambições autoritárias precisa se reeleger ao menos uma vez para conseguir afundar o sistema democrático.
Em todos esses exemplos, as ações do primeiro mandato já disparavam os alarmes dos observadores internacionais, mas foi só a partir do segundo que Chávez, Ortega, Orbán e Erdogan aceleraram a erosão da democracia.
As tendências autoritárias de Hugo Chávez já eram perceptíveis muito antes de ele assumir a presidência, em 1999. Afinal, sete anos antes, o então tenente- coronel já tinha feito uma tentativa de golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez.
Mesmo assim, medidas claramente ditatoriais como não renovar licenças de canais de TV críticos ao Governo, enfraquecer a assembleia nacional e prender e intimidar juízes só começaram a ser implementadas após sua primeira reeleição, em 2006.
É verdade que cada líder com ambições autoritárias segue sua própria receita, mas um ingrediente indispensável a quase todas elas é o tempo. Para implementar um regime autoritário, é preciso reduzir a independência do poder judiciário, e isso costuma ser um processo mais demorado
Além disso, a primeira eleição de um candidato com ambições autoritárias muitas vezes ocorre durante crises econômicas, no embalo de uma retórica “anti-sistema” que costuma atrair eleitores.
Muitos deles podem até discordar dos comentários mais radicais de um Trump, Duterte, Orbán, Babis, Erdogan ou Chávez, mas, naquele momento, não enxergam outra alternativa.
Ironicamente, boa parte dos eleitores que concedem ao líder com uma retórica autoritária esse primeiro mandato pecam justamente por um excesso de confiança de que as regras do jogo político acabariam moderando seus excessos.
É como se esse voto não tivesse sido no autoritário e em suas propostas, mas contra o sistema e a sensação de inação passada pelos outros candidatos. Do ponto de vista do líder com ambições autoritárias, essa falta de convicção impõe certa moderação nos primeiros anos.
Uma vez reeleito, o líder com ambições autoritários costuma ganhar confiança. Enquanto a primeira vitória de um líder com tendências autoritárias pode ser vista como acidental, a reeleição tem um profundo impacto empoderador, permitindo uma escalada autoritária mais explícita.
Chávez conseguiu fazer com que a Assembleia Nacional aprovasse lei que aumentava de 20 para 32 o número de ministros