04/02/2022
Um poema inédito de Mario Quintana, datado de 1º de janeiro de 1941, foi encontrado dentro de um livro do próprio poeta que foi comprado por um livreiro de Porto Alegre. George Augusto havia adquirido uma biblioteca particular com mais de 5 mil volumes e, dentro de um dos livros de Mario Quintana, achou o manuscrito. O título do poema é “Canção do Primeiro do Ano”.
A data, a letra e o estilo confirmam a autenticidade da obra inédita. Só não se sabe o motivo pelo qual Quintana não publicou. Especula-se que ele pode não ter gostado do trabalho ou que esqueceu onde guardou o poema.
A obra foi doada no dia 24/01 ao acervo da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul, juntamente com o livro onde estava guardada, uma edição de Poemas, do próprio autor. Em breve, ambos estarão em exposição na Casa de Cultura Mario Quintana. Neste local, em Porto Alegre, o poeta viveu.
Leia o poema na íntegra:
Canção do Primeiro do Ano
Pelas estradas antigas
As horas vêm a cantar.
As horas são raparigas,
Entram na praça a dançar.
As horas são raparigas…
E a doce algazarra sua
De rua em rua se ouvia.
De casa em casa, na rua,
Uma janela se abria.
As horas são raparigas
Lindas de ouvir e de olhar.
As horas cantam cantigas
E eu vivo só de momentos,
Sou como as nuvens do céu…
Prendi a rosa dos ventos
Na fita do meu chapéu.
Uma por uma, as janelas
Se abriram de par em par.
As horas são raparigas…
Passam na rua a dançar.
As horas são raparigas
Lindas de ouvir e de olhar.
As horas cantam cantigas
E eu vivo só de momentos,
Sou como as nuvens do céu…
Prendi a rosa dos ventos
Na fita do meu chapéu.
Uma por uma, as janelas
Se abriram de par em par.