15/02/2026
Hoje nos despedimos de Txai Macedo, indigenista, sertanista e compositor cuja trajetória marcou profundamente a história do Baquemirim e do Instituto Nova Era. Sua vida foi ponte entre arte, espiritualidade e luta pelos povos da floresta.
A seguir, compartilhamos as palavras do coordenador do Baquemirim, Alexandre Anselmo:
"Hoje, nosso amigo Txai Macedo seguiu sua viagem de encontro ao Criador.
Nossa história começou em 2014 quando, ao escutar o CD Baque do Acre (que produzi em 2012), ele pediu que um amigo em comum me levasse até ele. Conforme fui conhecendo sua obra e sua história, dei-me conta da nobreza de sua trajetória humanitária. Percebi o lugar da nossa arte — a música — como a alma propulsora dos movimentos por justiça, direitos e pelo "bem viver".
Em 2015, conheci sua obra “A VOZ DA FLORESTA”, gravada nos EUA em 1988 e distribuída originalmente em fita K7. Recuperei esse material, postei no YouTube e, em 2017, começamos a gravar suas músicas em um estúdio que preparei na Usina de Arte João Donato, junto a muitos alunos que colaboraram com o projeto. Em 2018, realizamos diversas apresentações com banda ao vivo, contando com Txanás e músicos como Arthur José, Evair Silva, Zenaide Parteira, entre outros.
Já em 2020, com o apoio do Instituto Nova Era ao Baquemirim, pude retomar e finalizar um álbum com o Txai. Em 2023, gravamos clipes com participações de Kelen Mendes, Deivid Menezes, Mayara Rio Branco e Zenaide Parteira, além de vídeos com suas histórias que fundem realidade e arte. Segundo ele mesmo, “as canções são relatórios das viagens” que se encantavam em sua mente e formaram o cancioneiro que ele nomeou como “Livrinho”.
Se não fosse por Txai Macedo, as questões sociais do Acre seriam muito mais graves. Com sua prática musical espontânea, ele tornou a arte essencial em todas as reuniões e movimentos. Deixou um legado de prosperidade no retorno à ancestralidade, algo que organiza e protege os povos originários até hoje. Sempre disse que o Txai é o guardião dos Txanás, um guerreiro renascedor da floresta.
(...)
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