16/01/2026
Sentindo a dor do desamor, frágil e pequenino, nosso protagonista se vê como um menino perdido em seus próprios sentimentos. Ferido por uma separação, encontra no colo materno o conselho que mudaria seu destino: viajar, seguir o coração e deixar que o tempo cure o que a saudade insiste em sangrar. Assim, ele pega a estrada rumo ao Norte do Brasil, onde cada passo será um canto, cada estado um verso, e cada mulher um destino.
No Acre, a primeira paixão se chama Glória. Inspirada na força criadora de Glória Perez, mulher de palavras, novelas e dores transformadas em arte, ela enxuga o pranto do viajante e o apresenta a Rio Branco, cidade de histórias, lendas e afetos. Em meio às narrativas de amor e resistência, Glória revela a beleza da cultura acreana e a memória de uma cigana que o tempo levou, mas nunca apagou.
Seguindo os trilhos da história, o viajante chega a Rondônia, onde encontra Maria, a Louca. Maria não é apenas mulher, é metáfora: a locomotiva da Madeira-Mamoré, símbolo de sonhos, ambições e mortes no vale do Guaporé. Entre belezas naturais exuberantes e cicatrizes do passado, Maria embala o coração do protagonista, mostrando que o progresso também cobra seu preço.
No Pará, de joelhos e chapéu na mão, ele vive a fé e a emoção do Círio de Nazaré, guiado por Fátima, a própria Fafá de Belém, voz da Amazônia. Com ela, conhece o Ver-o-Peso, seus aromas, cores e sons, onde o sagrado e o popular se misturam em perfeita harmonia.
O caminho segue para o Amazonas, onde surge Hipólita, a mítica Rainha das Icamiabas. Com ela, o viajante aplaude o esplendor do Teatro Amazonas e se encanta com a ilha da fantasia em Parintins, onde os bois Garantido e Caprichoso transformam amor em espetáculo grandioso, dividido apenas pela paixão.
No Amapá, o tambor anuncia a chegada de Verônica dos Tracajás, pura musicalidade e ancestralidade. Ao som da cultura ribeirinha, ela apresenta o Forte São José de Macapá, guardião da floresta, da história e da fé de um povo que dança.