11/08/2025
Éden.
No vasto jardim da existência, cada ser é uma cor, um canto, um sabor — aves que brilham no dourado intenso do sol, outras que guardam o azul profundo e misterioso das ondas.
Ainda aquelas que desabrocham em suaves tons de rosa, quase sussurrando.
Entre elas, há uma ave que não oculta as marcas nem as imperfeições das próprias p***s — sou eu, essa fênix que carrega no peito a luz e a sombra, o frio e o ardor.
Sou pétala que se abre, delicada e frágil, mas também espinho que arde, que fere, que resiste.
Sou a serenidade de um lago, o ímpeto selvagem da tempestade, o silêncio que acolhe e o grito que desperta.
Sou mulher e mar, palco e plateia, começo e término. Sou tantas coisas — tantas — que às vezes nem eu mesma me encontro.
E tudo o que desejo é simples: que me recebam como sou, inteira, sem moldes, que compreendam que o amor não prende nem transforma, mas acolhe cada cor, cada traço, cada falha e beleza.
Quebrar os muros do olhar estreito, abrir janelas no peito, para que a inclusão seja mais que palavra — seja a ponte onde todos possam caminhar, livres, lado a lado, em respeito e afeto.
Permitir que eu voe no ritmo do meu próprio céu, respeitar que cada imperfeição é pincelada essencial na tela única que somos.
Pois o mundo, no fundo, floresce quando as cores dançam em harmonia, quando a diversidade se torna sinfonia, e o amor, o sol que aquece e ilumina, sem jamais apagar um só tom, um só brilho, um só verso.
Somos singulares — almas únicas em um vasto mosaico de vida. E é nessa singularidade que reside a nossa verdadeira grandeza.
Honrar a outra é valorizar a riqueza infinita do diverso, é celebrar o plural, o múltiplo, o belo em todas as suas formas. É reconhecer que, ao aceitar a outra, aprendemos a nos aceitar também.
E é na inclusão — no encontro genuíno das diferenças — que construímos pontes invisíveis de compreensão, respeito e esperança, fazendo da diversidade o mais belo dos poemas, escrito com as cores do amor.
Karina Galindo.