21/01/2026
SINOPSE
Na escuridão da mata e no silêncio das vilas, ecoa um assobio cortante que atravessa a noite e arrepia a espinha dos viventes. É ela. Matinta Pereira. A lenda amazônica que o Pavilhão Corinthiano transforma em samba, mistério e encantamento.
Entre o medo e a fé, o enredo nasce como quebranto e proteção, tal qual o próprio samba da escola: um canto sagrado que afasta o mal e firma o pavilhão como escudo espiritual no festival. A narrativa mergulha no imaginário popular para contar a história da mulher envolta em preto, sem herdeira, sem destino fixo, que se esconde na floresta e ronda os telhados à procura de quem aceite seu pacto.
Matinta não é apenas bruxa ou feiticeira: é maldição transmitida, destino aceito no descuido de uma resposta inocente. Quem atende ao seu chamado — “Quem quer?” — herda o fardo de se tornar o que ela é. À noite, transforma-se em Rasga-Mortalha, a coruja lendária de canto estridente, sentada na cumeeira, anunciando presságios até o amanhecer.
Mas toda lenda também ensina. Para silenciar seu canto, basta prometer: tabaco, café, peixe ou cachaça. A quebra do trato, porém, traz o retorno da assombração e o castigo noturno. Entre rezas e simpatias, o povo aprende a se proteger: tesoura, chave, rosário bento, vassoura virgem e o poder do nome santo pronunciado com fé, capaz de varrer o tormento e romper a maldição.
Assim, o Pavilhão Corinthiano desfila entre o sobrenatural e a tradição oral, exaltando o saber popular, o medo que educa e a fé que protege. A Matinta Pereira deixa de ser apenas assombração e se torna símbolo da cultura viva, do respeito aos pactos e da força do sagrado que ecoa na noite — transformado em samba, mito e identidade no brilho da avenida.