20/03/2021
Excesso versus Escassez
Virgínia Leal
Há um paradoxo que nos ronda e não nos damos conta. De um lado somos estimulados ao excesso do consumo para fomentar os ganhos de quem produz satisfação imediata enquanto de outro rareia cada vez mais a felicidade real. Buscamos preenchimento pela ambição, pela realização profissional, pela ganância, pela ostentação, pelo apego ou pela prodigalidade. A toda hora criamos necessidades, exacerbamos paixões e indignações para nos sentirmos vivos, para escondermos a impotência diante do que de verdade importa.
Enquanto focamos nos excessos e escassez ilusórios, cada vez mais nos distanciamos da abundância real que o universo nos oferece, por estarmos inundados de desejos intensos e descontrolados, que não respeitam o ritmo próprio de cada um, a medida certa entre a atividade e o repouso, o justo equilíbrio. É preciso diferenciar a necessidade do desejo, que podem até coincidir, para haver uma seleção de desapego, tendo por critério o bem maior, que será sempre aquele que beneficie a todos.
Vivemos num mundo de formas, e as formas têm limites. Aprendemos a conviver com elas, mas essa não é nossa natureza. Enquanto seres humanos, sim. Mas há um saber que de quando em vez ultrapassa as fronteiras do ego a nos lembrar que também somos seres espirituais e como tais somos ilimitados. E é essa ciência que nos move a ultrapassar os limites impostos e auto impostos. Essa expansão, sim, deve ser incentivada, para que possamos superar as fronteiras que nos impedem de nos aprimorarmos enquanto seres humanos e de buscarmos a abundância que merecemos.