15/01/2026
O Império de Bauru abre suas alas para celebrar a trajetória de Ernesto dos Santos, o imortal Donga, cuja genialidade ajudou a eternizar a batida que pulsa no coração do Brasil.
Das vielas do Rio de Janeiro ecoa o som do violão malandro, embalado pelas rodas de choro, pelos batuques herdados da África e pelas canções que brotavam no quintal da Tia Ciata, berço do samba carioca. Foi ali, entre o sagrado e o profano, que o jovem Donga riscou no papel as notas de “Pelo Telefone”, consagrando-se como autor da primeira música registrada como samba na história.
Seguindo o compasso da vida, o menino que cresceu em meio à cultura popular amadureceu em melodias. Vieram as lembranças doces de “Terna Saudade”, o retrato boêmio de “A Malandragem”, e o humor de “Seu Mané Luís”, traduzindo o cotidiano carioca em música. Ao lado do grupo Oito Batutas, Donga levou para o mundo a ginga brasileira, embalando plateias com composições como “Tango Negro” e reafirmando a riqueza de nossas raízes africanas.
Mas o mestre também sabia falar de amores e lamentos: nas cordas de seu violão ecoavam “Não Adianta Chorar” e “É Bom Parar”, canções que uniam sentimento e malícia. Em sua verve popular, ainda deixou gravados o balanço de “Patrão Prenda Seu Gado” e a cadência de “Pé de Anjo”, cada uma delas como tijolos que construíram a casa do samba.
E no firmamento de sua obra, brilha para sempre “Quando uma Estrela Sorri” — símbolo maior desta homenagem, pois é sob a estrela do Império de Bauru que celebramos sua herança imortal.
Donga é memória viva do povo — sua música atravessa o tempo, ecoando nos terreiros, nas rodas de partideiro e nos palcos da cultura nacional. É a herança de um Brasil plural, que canta sua alma em versos e acordes.
Hoje, o Império de Bauru ergue sua coroa em homenagem ao mestre que abriu caminhos, para que o samba fosse reconhecido como a voz de uma nação. Entre cordas, tambores e corações, vamos dançar e cantar a vida e a obra de Donga, o eterno pioneiro do damba