15/07/2026
✨ Música, trauma e emoção
Hoje compartilho um trecho de uma experiência que me atravessou profundamente.
Cacá chegou à sessão com um pedido muito específico: queria fazer uma música sobre o bullying que viveu na escola.
Enquanto a letra ia sendo construída, as lembranças também encontravam um caminho para existir. Entre palavras, melodias e bonecos, ele revisitava uma experiência difícil, dando forma ao que sentiu naquele momento da sua vida.
A musicoterapia tem essa potência. Ela cria um espaço em que experiências podem ser externalizadas sem a necessidade de uma conversa direta. Às vezes, uma criança consegue cantar aquilo que ainda não consegue explicar. Outras vezes, consegue brincar com uma memória antes de conseguir olhá-la de frente.
A música não apaga o que aconteceu. Ela oferece outra maneira de se aproximar da experiência, de organizá-la, de atribuir sentidos e de compartilhá-la com alguém que está ali, disponível para escutar.
Foi assim que nasceu essa canção: como um gesto de autoria sobre uma história que, até então, parecia existir apenas como dor.