17/01/2026
Entre a névoa do tempo e o sussurro das lendas do Sul do Brasil, nasce um canto ancestral que atravessa gerações: Teiniaguá, a princesa moura encantada, guardiã de tesouros e mistérios, presa entre dois mundos — o da magia e o da redenção.
A Colorado de Andradina abre seu desfile convidando o público a mergulhar nas águas profundas da imaginação popular, onde a tradição indígena se encontra com o imaginário ibérico trazido pelos colonizadores. Das terras distantes da Península Ibérica ecoam as histórias das mouras encantadas; nas coxilhas do Rio Grande do Sul, elas ganham nova forma, novo nome e um brilho próprio: Teiniaguá, a mulher-lagartixa de olhos hipnóticos, que habita a lagoa encantada e seduz os homens com promessas de riqueza, poder e amor eterno.
No coração da lenda está o conflito humano: a ambição que aprisiona, o desejo que cega e a fé que liberta. Jovens aventureiros sucumbem ao fascínio do ouro fácil, enquanto outros, guiados pela coragem e pela pureza do sentimento, desafiam o encanto para quebrar a maldição. É na figura do amor verdadeiro e do sacrifício que surge a possibilidade de redenção, transformando o monstro em mulher e o feitiço em esperança.
Entre sombras e luzes, a Colorado transforma a avenida em um grande palco mítico, onde a laguna reluz como espelho da alma humana. O enredo exalta o poder das lendas como patrimônio imaterial do povo brasileiro, celebrando a oralidade, o folclore e a força simbólica das narrativas que moldam nossa identidade.
No final da jornada, a Teiniaguá deixa de ser apenas tentação e passa a ser libertação. O tesouro maior não é o ouro escondido, mas a vitória do amor, da fé e da coragem sobre a escuridão.