Observatório da Cultura Nordestina

Observatório da Cultura Nordestina Grupo apartidário e pluralista com a finalidade de estabelecer um canal de diálogo com a sociedade.

https://vaiprachina.com.br/?ref=85e9d9e1
13/04/2026

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Participe de um anúncio revolucionário do ICL e faça parte do movimento que vai enfrentar as big techs e devolver a soberania digital ao Brasil e à América Latina.

O que é o Programa 60+ da Cultura Nordestina Letras & Artes Quando não formos mais necessários ao mercado de trabalho ou...
13/04/2025

O que é o Programa 60+ da Cultura Nordestina Letras & Artes

Quando não formos mais necessários ao mercado de trabalho ou à família, é necessário ocuparmos o nosso tempo com o que mantém o nosso bem-estar físico, emocional e intelectual. Afinal, dedicamos a nossa juventude, esse tempo precioso que jamais teremos de volta, às prioridades do outro. Nada mais justo que a prioridade agora seja nossa. No entanto, se nos satisfaz continuar com as antigas prioridades, que assim seja. Mas se quisermos viver plenamente a fase da maturidade com saúde e sabedoria, então vamos colocar como prioridade a arte em nossas vidas, integrando a família e os amigos à nossa prioridade.

O estado natural do ser humano é o estado da arte, aquele que nos proporciona a felicidade plena, muitas vezes inalcançável em virtude das imperfeições humanas. Mas isso não signif**a que devemos nos acomodar e deixar que a (in)felicidade nos domine. Ao contrário, devemos lutar sempre pela felicidade, estado alcançado coletivamente, porque ninguém pode ser feliz sozinho(a).

A formação de grupos que tenham os mesmos interesses se dá naturalmente em qualquer idade. Continuar participativo(a) na terceira idade é o que nos mantém conectados ao mundo exercitando o corpo e a mente, fortalecendo os antigos laços e fazendo novas amizades. Há unanimidade entre os especialistas no assunto, quanto aos benefícios para a nossa saúde física, emocional e intelectual, proporcionados pela integração social.

Convite
O Ponto de Cultura Nordestina Letras & Artes convida escritores, poetas, professores, alunos, artistas, artesãos e apreciadores das letras e das artes, conhecedores dos benefícios que a literatura e a arte trazem para a vida das pessoas, e das potencialidades do nosso espaço, a sugerir atividades a serem executadas no âmbito do programa 60+ – “A arte é a minha prioridade”.

O público 60+ terá acesso às diversas atividades do programa que se torna autofinanciado através do pagamento de uma mensalidade única (R$120) ou solidária (R$150), esta possibilitando a participação de uma segunda pessoa, que poderá ser indicada pelo(a) associado(a) para também usufruir das atividades disponibilizadas pelo programa.

A participação no programa 60+, que tem na “mensalidade solidária” o cunho social de democratização da expressão artístico-literária, pode se dar de diversas maneiras, inclusive para não-associado(a)s: frequentando ou coordenando saraus, palestras e grupos de estudos; como aluno(a) ou na mentoria de oficinas; expondo seus produtos nas ExpoTear (exposições trimestrais) ou participando da ColabTear (loja colaborativa)

A seguir são fornecidos maiores detalhes sobre a participação no programa. Respondendo à pesquisa de interesse, podem ser feitas escolhas e serem dadas sugestões.

Clique no link para saber como participar:

Programa do Ponto de Cultura Nordestina - PCN para o público com 60 anos ou mais. Lançamento: Maio/2025

Neste sábado o engenheiro e escritor Alexandre Santos estará proferindo a palestra Arte & Engenharia no Seminário dos Mú...
17/10/2024

Neste sábado o engenheiro e escritor Alexandre Santos estará proferindo a palestra Arte & Engenharia no Seminário dos Múltiplos Saberes do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, às 9h30min. via Skype.

O voto dos 70+No Brasil, as pessoas com mais de 70 estão dispensadas de votar. Isso signif**a que só irão às urnas, ness...
09/09/2024

O voto dos 70+

No Brasil, as pessoas com mais de 70 estão dispensadas de votar. Isso signif**a que só irão às urnas, nessa faixa etária, pessoas conscientes de que, no sistema democrático, o voto é o instrumento capaz de mudar ou aperfeiçoar a realidade social e política de milhões de brasileiros e brasileiras.

Optar pelo não comparecimento às urnas, a partir dos 70, é abdicar de participar ativamente da vida em sociedade, delegar o seu poder de decisão a terceiros, e rasgar o seu certif**ado de aprendizado na escola da vida, por mais de 7 décadas.

Dizem por aí que políticos são todos iguais e que querem, apenas, enriquecer às custas do dinheiro público. Se por acreditar nessa mentira você deixar de votar, saiba que estará contribuindo para eliminar a chance de pessoas sérias, dispostas a mudar a forma de se fazer política no Brasil, serem eleitas, e reforçando a continuidade dos antigos aproveitadores e a chegada de seus sucessores.

Teoricamente, décadas de experiência capacitam os 70+ a enxergarem com maior clareza a violência existente na demonização da política e do serviço público, que vêm sendo manipulados com a intenção de naturalizar atitudes antirrepublicanas e, com isso, descredibilizar os direitos cidadãos garantidos pela Constituição Federal, mantendo o eleitorado na zona do conformismo, como se nada pudesse ser feito para mudar a realidade.

Essa antiga manipulação, agora intensif**ada pelo uso das redes sociais, desenvolve uma apatia contagiante que leva os 70+ a serem tentados a acreditar, por comodismo, que não vale a pena sair de casa para votar, porque o Brasil não tem jeito mesmo. Pelo mesmo motivo, os 70- vão às urnas por obrigação, mas votam em branco ou anulam o voto numa atitude antipolítica de revolta.
A conclusão lógica é que, se todos pensarem dessa forma induzida por interesses inconfessáveis, os vitoriosos serão sempre os mal-intencionados que utilizam a política em proveito próprio. Ao mesmo tempo, cada vez menos bem-intencionados serão estimulados a participar da vida política enfrentando os desafios de uma candidatura, quando a sofisticação da propaganda eleitoral vem se sobrepondo à qualidade das propostas que os candidatos devem apresentar ao eleitorado, e ao compromisso de cumpri-las.

A contratação de marqueteiros implica num custo alto aos partidos e candidatos, o que exige um aporte de verbas de campanha cada vez maior, à disputa por cargos públicos - uma verdadeira maratona da espetacularização de boas intenções, que impressionam e convencem muito mais pela forma do que pelo conteúdo.

É aí que a experiência e o discernimento dos 70+ torna-se precioso. Essa faixa etária reúne elementos suficientes para enxergar até que ponto a maquiagem eleitoreira está beneficiando a imagem desgastada de antigos grupos que se perpetuam na política, diminuindo as chances dos bem-intencionados que acabam sendo ofuscados pelo brilho da espetacularização da propaganda eleitoreira.

Esta é a realidade manipulada da política e dos políticos, que só traz benefícios à turma do quanto pior, melhor, que se utiliza da lacração do grotesco nas redes sociais para conseguir seguidores idiotizados - consequentes eleitores totalmente alienados da realidade. Mas essa situação pode ser mudada com a colaboração dos 70+. A experiência dos integrantes da era analógica é fundamental na hora da avaliação dos candidatos e, por isso, não pode ser desprezada.

As perguntas que devem nortear o voto consciente são: O que nós queremos ser amanhã? Quais os desafios que os nossos netos irão enfrentar no futuro? De que forma poderemos colaborar para que eles sejam felizes?

Atenção, turma dos 70+! O seu voto signif**a a continuidade da luta pela hegemonia de um novo mundo possível, que se contrapõe à morte da utopia de um novo modelo de desenvolvimento econômico e, com isso, o enterro das probabilidades de mudança. Mudar é preciso, porque o modelo atual promete riqueza, mas gera pobreza, destruição e injustiça. Trata-se, portanto, de um modelo fracassado.

Estaremos de olho nas propostas dos candidatos que privilegiam educação, arte, cultura, preservação do meio ambiente, inclusão social, feminismo e direitos humanos.

Salete Rêgo Barros
Produtora cultural

Imagem produzida por IA.

O compositor, músico e poeta cordelista Allan Sales confirmou sua presença nas comemorações dos 12 anos da Cultura Norde...
02/07/2024

O compositor, músico e poeta cordelista Allan Sales confirmou sua presença nas comemorações dos 12 anos da Cultura Nordestina Letras & Artes e dos 20 anos da Rede Cultura Viva- Cidadania e Diversidade.

Inscrições abertas: 81 981137126

Cultura Nordestina - 12 anosNeste julho de 2024 comemoramos os 12 anos de atividades culturais da Cultura Nordestina Let...
02/07/2024

Cultura Nordestina - 12 anos

Neste julho de 2024 comemoramos os 12 anos de atividades culturais da Cultura Nordestina Letras & Artes, espaço de acolhimento, trocas, oportunidades e realizações, inaugurado no dia 5 de julho de 2012, na Rua Sérgio Magalhães, 54, no bairro das Graças, no Recife.

Em 2016, o nosso trabalho foi reconhecido pelo Ministério da Cultura, como Ponto de Cultura, e a nossa sede passou para o bairro do Poço da Panela, no Recife, Rua Luiz Guimarães, 555, onde permanecemos até hoje.

O mês de celebração dos 12 anos da CN coincide com o dos 20 anos da Cultura Viva, e estaremos comemorando esta data tão signif**ativa com várias atividades divulgadas no site oficial Cultura Viva do Ministério da Cultura chegando, dessa forma, a todos os cantos e recantos do Brasil.

Os amigos e associados estão todos convidados para essa grande festa durante todo o mês de julho. As inscrições vão até o dia 6, quando o calendário será fechado e enviado para divulgação no site oficial Cultura Viva.

As atividades podem ser presenciais ou virtuais - contação de histórias, lançamento de livros, oficinas de artes e artesanato, palestras, aulas-espetáculo, apresentações musicais e performáticas, etc.

No dia 25 de julho faremos a comemoração do Dia do Escritor com um almoço musical com o grupo de chorinho José Arimatéa, comemoração dos 94 anos da escritora Djanira Silva, e tributo aos associados falecidos recentemente, Myriam Brindeiro e José Luiz Melo.

Inscrições: 81 981137126

PL 1904/24Autor: deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)É muito estranho que apenas 23 segundos sejam suficientes para paut...
15/06/2024

PL 1904/24
Autor: deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)

É muito estranho que apenas 23 segundos sejam suficientes para pautar a urgência de um projeto de tamanha relevância, sem que qualquer discussão prévia fosse realizada pelas comissões competentes da casa que representa a voz do povo brasileiro, a respeito do conflito existente entre o direito à vida do nascituro e os direitos fundamentais da gestante. O projeto em pauta tira das mulheres o direito, já assegurado no Código penal, ao ab**to legal feito até 22 semanas de gestação em casos de risco de vida para a mãe, anencefalia do feto e estupro, e equipara ab**to a crime de homicídio condenando mulheres e meninas, em sua maioria vítimas de estupro, à pena de 6 a 20 anos de prisão, superior à do estuprador, que vai de 2 a 8 anos.

É como se a pena de ter sido violentada física, psíquica e moralmente não bastasse. É como se as consequências advindas de um ab**to clandestino não fossem suficientes para condenar a maioria à morte, e as que sobrevivem, a carregar as sequelas físicas e o fardo da culpa e da vergonha pelo resto da vida. É como se decidir pelo ato extremo de abortar já não carregasse em si mesmo uma pena gigantesca, e ainda fosse preciso ser acrescentada uma pena extra, imputada pelo agente causador – o patriarcalismo enraizado em toda a sociedade.

Voltamos à Idade Média, quando mulheres que praticavam adultério eram apedrejadas até a morte; mulheres curandeiras eram queimadas vivas na fogueira porque, de acordo com a visão patriarcal, tinham parte com Belzebu, representante do mal, e precisavam ser eliminadas do convívio social.

A estratégia política utilizada pelo presidente da Câmara dos deputados, Artur Lira, é legislar sobre o corpo de meninas e mulheres criminalizando o ab**to com finalidades eleitoreiras, bajulando os setores conservadores e forçando o governo federal a se posicionar contra a criminalização, perdendo, dessa forma, votos dos conservadores e prestígio na bancada evangélica, o que vem a reforçar o projeto dos inconformados, de enfraquecimento do governo federal.

Em 2023 foram notif**ados no Brasil mais de 76.000 estupros, dos quais, mais de 58.000 de vulneráveis, ou seja, meninas entre 10 e 14 anos que ainda não têm discernimento para avaliar a dimensão do abuso. Nos casos que resultam em gravidez, quando a família ou a escola vêm notar e tomar providências, já se passaram as 22 semanas em que o ab**to pode ser feito legalmente. Muitas preferem silenciar, e o abusador, geralmente um familiar próximo, f**a impune para continuar a sua prática criminosa.

Apenas 3,6% das cidades brasileiras têm clínicas aptas a fazer o ab**to legal previsto em lei. Quando a menina, jovem ou mulher é da classe média ou alta, viaja para países onde o ab**to é legalizado, e lá realizam o procedimento em segurança. Já quando a vítima é da classe pobre, o ab**to é feito na clandestinidade, na maioria dos casos, e as consequências vão de infecção generalizada, morte, depressão, suicídio e mutilação, a traumas psíquicos, evasão escolar, entre outras.

O abuso sexual está presente em todas as culturas e camadas sociais em todos os tempos. No entanto, a responsabilidade pela prevenção cabe à mulher quando, com efetividade, deveria caber ao Estado que, ao invés de proteger a vítima, agora quer transformá-la em ré. A mulher é quem deve esconder o corpo para não provocar o instinto animalesco do abusador; a mulher só estará livre de abusos se sair de casa acompanhada por um homem; ao denunciar qualquer indício de abuso, a mulher corre o risco de ser taxada de mentirosa; às mães cabe a orientação das filhas em como proceder no caso de assédio. No entanto, muitas não orientam corretamente por ignorância ou por vergonha de tocar num assunto tão delicado ou por achar que com a sua filha isso não vai acontecer.

É como se o abusador tivesse o direito de abusar, e a vítima de se defender como puder e se puder. Segundo depoimentos, muitas f**am paralisadas pelo terror e silenciam. Somente anos depois são capazes de tocar no assunto, especialmente, se o abusador for denunciado publicamente por outras mulheres. As denúncias são subnotif**adas. O assunto é traumático e o abusador tenta inibir a denúncia com ameaças à vítima e aos familiares. O PL 1904/24 é mais um fator inibidor que favorece o estuprador. Alguém vai fazer uma denúncia sabendo que pode mofar na cadeia por até 20 anos?

Uma gravidez indesejada decorrente de abuso sexual tem suas raízes fincadas no patriarcalismo. Num passado recente era comum ouvir de certos homens: “Quem tiver a sua cabritinha que prenda, porque o meu bodinho está solto”. Esse ditado popular nordestino, diz muito da forma como os meninos podem ser estimulados pelo próprio pai, com a convivência da mãe, a pegar as meninas mesmo que elas não estejam a fim. É como se estivesse estabelecido que o homem tem, naturalmente, a prerrogativa do abuso de poder. Isso se verif**a, principalmente, nas organizações familiares em que o homem exerce o pátrio poder sobre a mulher e as filhas. Ao longo do tempo, outros modelos de família vão se formando, mas o patriarcado continua a ser naturalmente aceito em todas as relações sociais.

Polêmico por envolver aspectos político-eleitorais, sociais e religiosos, o PL 1904/24 prejudica, principalmente, as classes menos favorecidas que, ao invés de terem o apoio das políticas públicas, também dirigidas a meninos e homens, de orientação sexual nas escolas, em centros de saúde, e de procedimentos seguros, são mais uma vez penalizadas por mais essa aberração que fere todos os princípios dos direitos humanos que, neste caso, estão abaixo dos acenos do presidente da Câmara às pautas de costumes que agradam às bancadas conservadoras.

O projeto de criminalização do ab**to, que 21 parlamentares homens e 12 mulheres pretendem aprovar na Câmara, não tem apoio popular. Ferem o princípio da dignidade humana, joga no descrédito as instituições de Estado, aumenta o ódio contra as mulheres e beneficia os estupradores. Tem causado a indignação de vários setores e levado às ruas a população. Além de imoral, ele expõe a contradição das bancadas da bala e a evangélica, que dizem criminalizar o ab**to em defesa da vida, porém, contraditoriamente, liberaram o porte de armas para que civis também tenham o direito de sair atirando, ferindo e matando legalmente por aí. Ditas defensoras da vida e das pautas morais, na realidade, essas bancadas não se importam com as vidas perdidas em decorrência de ab**tos feitos na clandestinidade, em sua maioria por pretas e pobres, causados por estupradores que usam e abusam do poder de macho fazendo vítimas de todas as idades, inclusive crianças e adolescentes em relações incestuosas. Mais de 70% dos crimes acontecem dentro de casa.

Estudos apontam que abusadores do presente foram crianças abusadas no passado, dando continuidade a um círculo vicioso que paralisa as perspectivas civilizatórias da humanidade. A cada 8 minutos uma menina ou mulher é vítima de estupro no Brasil e 320 crianças e adolescentes sofrem situações de exploração sexual a cada 24h. No entanto, devido às dificuldades que envolvem as denúncias, este número é inferior à triste realidade que atinge todas as camadas sociais. O aumento constante das estatísticas deve-se à disseminação de práticas criminosas abusivas nas redes, o que leva os setores progressistas à luta pela aprovação de leis de regulamentação das redes sociais.

Disque 100 – a denúncia é anônima e gratuita. O abuso sexual deve ser denunciado para que possa ser inibido.

Salete Rêgo Barros
Produtora cultural

O que é o que é?Treze de junho. Dia de Santo Antônio – padroeiro dos caminhoneiros, padeiros e das mulheres solteiras. D...
13/06/2024

O que é o que é?

Treze de junho. Dia de Santo Antônio – padroeiro dos caminhoneiros, padeiros e das mulheres solteiras. Dia de fazer adivinhações, de preparar comida junina, e de comemorar a colheita do milho plantado em 19 de março, dia de São José. O volume de chuva que cai nessa data é prenúncio de fartura, o que enche de esperança os trabalhadores da terra que abastecem as nossas mesas o ano inteiro.

Para nós, nordestinos, as festas juninas ainda têm um grande signif**ado, que remetem à infância, aos encontros em família, à preparação dos quitutes, que dura o dia inteiro, à fogueira, às adivinhações, às roupas novas, às quadrilhas e às emoções vividas e jamais esquecidas.

Apesar das transformações nos costumes, que agora mantêm as pessoas presas às telas, especialmente, jovens e crianças, privando-os da liberdade de viver com intensidade como viveu a nossa geração, ainda é visto certo empenho em se manter as tradições, principalmente, nas populações do interior, também afetadas pelas facilidades oferecidas pela tecnologia que transformou drasticamente as relações sociais.

Uma grande interrogação paira, hoje, sobre os cérebros que ainda pensam: o que será das gerações futuras que não participaram ativamente da vida que pulsa nos rituais de plantio e colheita; nas comemorações das datas festivas; nas feiras livres; nos acampamentos, enfim, no olho-no-olho, no abraço apertado, nas brincadeiras de roda, etc. O que será feito delas?

Pode-se pensar em telas de computadores, smartphones e TVs, como vidraças que separam as pessoas da vida real, assassinando a criatividade. Se por um lado elas (as telas) informam sobre o que acontece no mundo, por outro criam a ilusão perigosa de felicidade, beleza e riqueza. Elas (as telas) despertam nas pessoas do lado de cá, desejos de ser como as do lado de lá – ricas, bonitas e famosas; de ter o que elas têm; de fazer o que elas fazem. Não somos mais seres pensantes, porque as telas já nos oferecem tudo pronto – diversão, informação, compras, seguidores e influenciadores, que nos transformam em fantoches a serviço do sistema.

Santo Antônio perdeu o posto de santo casamenteiro. Pouca gente, hoje em dia, mantém a ilusão de que arranjar alguém é a solução para todos os problemas. Agora, para passar por uma experiência amorosa, basta que se procure na vitrine de um site especializado, alguém com as características desejáveis, devidamente manipuladas por quem entende do assunto. É nas telas que o amor é oferecido como qualquer produto da Shopee, exposto e consumido como um McDonald’s, para depois ser descartado como uma embalagem, por mais sedutora que possa parecer. O amor foi banalizado e virou mercadoria.

Ah… meu santinho... será que você está vendo o que eu estou vendo? As mulheres não querem mais fazer adivinhações nem colocar você de cabeça para baixo ou embaixo do travesseiro, e esperar o príncipe encantado. É certo que você sempre foi um machista corta-jaca de primeira hora, mantendo-as na ilusão. Mas, quer saber? Diante da banalização do amor e do cultivo ao ódio, que contaminou a nossa sociedade, você terá a sua pena reduzida, só pelo fato de ter proporcionado momentos inesquecíveis aos apaixonados; de ter mantido acesa a chama do amor nos relacionamentos duradouros; de ter abençoado o pão de cada dia, para que nada faltasse em nossas mesas, e de ter protegido os caminhoneiros em suas jornadas de trabalho.

Salete Rêgo Barros
Produtora cultural

Centenário de nascimentoIrba (Ivanete Rêgo Barros Alves)As mães são notáveis, especiais, e f**am para sempre na memória ...
05/06/2024

Centenário de nascimento
Irba (Ivanete Rêgo Barros Alves)

As mães são notáveis, especiais, e f**am para sempre na memória de seus filhos. A história de cada uma delas representa a história de todas as mulheres que nos antecederam, e a quem devemos todas as nossas conquistas. Minha mãe nasceu há exatamente um século, em 5 de junho de 1924, e faleceu neste mesmo dia, há 16 anos, 27 dias antes do nascimento do meu primeiro neto.

A coincidência de datas de nascimento e morte de familiares, no intervalo de 3 dias antes e 3 dias depois da data do evento, era anotada por ela a cada novo acontecimento coincidente, o que ocorria com uma estranha frequência entre os membros da família. E ela própria não fugiu à regra – faleceu no dia em que nasceu. Deixou duas filhas, seis netos e doze bisnetos.

Única filha (tinha apenas um irmão) de pais católicos fervorosos, ela sofreu a forte influência dos costumes religiosos do início de século passado, presentes durante muito tempo na sociedade brasileira. A Semana da arte moderna (1922), realizada em São Paulo, inspirada no movimento modernista que teve início na Europa no início do século 20, apresentava uma proposta inovadora nas manifestações artísticas, e também influenciava os jovens sonhadores que viam nas novidades um grande atrativo.

Aos 19 anos, minha mãe escreveu uma peça de teatro – O sinal revelador, que foi encenada no cine-teatro Diogo Braga, em Vitória de Santo Antão, sua terra natal. Além de roteirista, ela também atuou no papel de uma jovem que cantava e tocava violão no grupo de ciganos. O seu interesse pela poesia, literatura e música se realizava na participação em movimentos culturais no Colégio das Damas da Instrução Cristã, onde estudava. Inicialmente, ela concluiu o Pedagógico, depois casou e teve duas filhas. Após a separação, dedicou-se com afinco ao ensino infantil e a escrever em prosa e verso para crianças. Anos depois, fez o curso de Pedagogia na FAFIRE, no Recife, onde trabalhou na Rede estadual de ensino até a aposentadoria.

Lembro quando ela ia dar aula na Escola Típica Rural Fazendinha, em Bezerros, seis léguas distante de casa, acompanhada de meu avô e das crianças que iam se integrando ao grupo ao longo do caminho, até chegar à escola – ela dava aulas as quatro séries que f**avam juntas na mesma sala. À tardinha o cortejo voltava, e ela e meu avô iam devolvendo as crianças às suas mães, pelo caminho. Durante o inverno, minha mãe montava um b***o puxado por meu avô, para atravessar a lama que se acumulava na estrada de barro vermelho, dificultando a caminhada a pé. Na parte da manhã, as aulas eram de linguagem, matemática, história e geografia; à tarde, de catecismo e trabalhos manuais.

Um domingo por semestre, o padre amigo da família ia ao grupo escolar para celebrar missa, primeira comunhão, batizar e casar os moradores da zona rural. O dia era de muita festa. Além das celebrações, havia uma exposição dos trabalhos manuais feitos pelos alunos durante o semestre. Minha avó, junto com algumas mães, preparavam o almoço, as sobremesas e os refrescos. Eram dias ansiosamente aguardados e inesquecíveis, onde eu podia brincar o dia inteiro com muitas crianças. Vale salientar que, como professora primária do município, o salário dela cobria, apenas, o ensino das matérias básicas. O conteúdo extracurricular era dado como trabalho voluntário, que também envolvia meus avós e algumas mães de alunos.

Minha mãe publicou dezoito livros nos gêneros poesia e infantojuvenil. Dedicou a vida à família, à pedagogia e à literatura. Participou ativamente de instituições literárias locais e nacionais, e foi presidente por dois mandatos da UBT – União Brasileira de Trovadores. Foi colunista do jornal A Gazeta de Felgueiras em Portugal.

Apesar das consequências da separação – na época, uma mulher separada era estigmatizada pela sociedade conservadora –, nunca a vi se lastimar nem falar mal dos que a fizeram sofrer. A sua generosidade permitiu que ela cuidasse de meu pai doente, até a morte dele. Era alegre, bem humorada, e tinha o dom de fazer amizades e preservá-las. A ela devo o que sou. Com ela aprendi a enfrentar situações adversas com lucidez e serenidade. Para ela, todo o meu amor e a minha gratidão eternos.

Salete Rêgo Barros

Endereço

Rua Luiz Guimarães, 555, Poço Da Panela
Recife, PE

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