F.Torres Poeta

F.Torres Poeta Poema Temas do cotidiano

VITRINE NORDESTINA.Minha intenção é emprestar meus olhosa quem não vê, do sertão, as coisas belas.A quem aprecia, o sert...
18/06/2026

VITRINE NORDESTINA.

Minha intenção é emprestar meus olhos
a quem não vê, do sertão, as coisas belas.
A quem aprecia, o sertão dá- lhe janelas,
pelas quais, vê- se as belezas aos molhos.
Desde as plantas germinando em brolhos,
ainda, na seca, à espera das chuvas.
Brolhos estes, que as formigas saúvas,
para tê-los, de refeição, ao vosso sabor,
trabalham, fazem estradas, sem trator,
que, só elas sabem o porquê das curvas.

O dia, ainda, vem longe, nas manhãs turvas,
e os xorós, os tetéus, flauteiam um festival.
Um escandaloso, aos saltos, diz ser bacurau
e fazem algazarras as marrecas " viúvas"
de pouso, nas copas das passariúvas,
onde pipilam, em festa, vários passarinhos.
A cobra papa ovo, sobe à cata aos ninhos,
faz de cada filhote, agora, vítima indefesa.
É natural. Pois, foi a própria natureza,
quem lhes determinou esses caminhos.

A ema, na caatinga, corre em desalinhos,
parece lenta, não se nota o seu embalo.
Mas, ela é páreo duro a qualquer cavalo
em mato ralo e de touças de espinhos.
O tropel de ambos, faz redemoinhos
e os arapuás esvoaçam cheios de grude.
Lá em longe, viçosa, na parede do acude,
a mamorana dá abrigo, de luxo, à iguana,
que furta à cor e a qualquer um engana:
lépida, num piscar de olhos, nos ilude.

Quando a terra, seca, encharca, em virtude
da chuva forte, que abarrota as lagoas,
tudo muda e uma enfieira de coisas boas
acontecem a jato, em tamanha amplitude,
que fauna e flora se enchem de saude,
dando vigor, da cadeia natural, aos elos.
O que ontem, no sertão, eram flagelos,
sumiu e em cada olhar, vê-se outro briho,
antevendo fartura de arroz, feijão e milho
em coloridos tons verdes, amarelos!

Aí, os homens amolam seus cutelos.
São velhos acessórios das suas labutas.
Todo dia, cedo, a fé os empurra às lutas
e faz os campos cada vez mais belos!
Importante é que, em vossos castelos,
tem a mão firme das vossas rainhas,
doutros cuidados e os das cozinhas,
pondo à mesa cuscuz, batata, macaxeira.
Cardápio mágico, que de longe cheira,
aguçador perfeito das vontades minhas.

Por fim, no verão, em todas as tardinhas,
no mundo infindo, perdido, dos canaviais,
o restaurante de tantos outros animais,
um manto escuro feito de andorinhas,
vindo dali, de perto, de encostas vizinhas,
para o pouso do sono e da constatação
de que a chuva foi embora do sertão,
pois, as andorinhas são em quantidade:
certificando, portanto, que é verdade,:
"uma andorinha só, não faz verão"!

Metido a poeta
Francisco Torres.
26/ 07/2020..

24/05/2026
Resolvi postar aqui, também, nesta página. Pode ser que chegue a alguém, que queira lerPOR FORÇA DAS CIRCUNSTÂNCIAS. Em ...
16/01/2026

Resolvi postar aqui, também, nesta página. Pode ser que chegue a alguém, que queira ler

POR FORÇA DAS CIRCUNSTÂNCIAS.

Em 2012, uma tal de hanseníase neural me agarrou, tal qual uma sucuri a um cabrito, moeu-me o quanto pode e só não me engoliu, graças a um tratamento, (gratuito, do SUS), que salva a vida, desampara a matéria e, profundamente, macula a alma.

Por conta disso, eu ( cruz credo), que tenho histórico de atleta, (cruz credo, de novo) e que gostava de praticar caminhada, corridas, futebol, esportes em geral, tornei-me um ser sedentário, quase uma múmia do mundo moderno, vivendo o hoje e torcendo para alcançar o amanhã.
Mas, as circunstâncias da rotina das nossas vidas...

O meu sandero 2012, vez ou outra me deixa na mão. Aliás, no pé. E, recentemente, fez-me esse favor, de novo. Foi, então, que eu voltei a fazer caminhada da oficina a casa onde moro.

São, aproximadamente, dois quilômetros a distância, de onde, ele, sandero, está, para o restabelecimento da saúde, que todo carro precisa para trafegar por alhures.

Houve dia em que eu fiz o percurso, que se divide em urbano e rural, por quatro vezes. Ia de manhã, voltava ao meio dia, ia de tarde, voltava à noite.
Foram dez dias de esforços, resiliência, gosto, saudade, observação, reflexão, projetos...

À tardezinha, quando o sol ia recolhendo sua luz, dando vez à eletrica, os mecânicos, também, iam, na maciota, recolhendo as ferramentas, cadenciando o trabalho a passo curto e era como se me fossem empurrões à minha casa.
__ Boa noite, senhores, até amanhã!
__ Até.
Um "até", seco, sem gosto.

Então, lá vou eu, rua afora.
O senhor que passou por mim, agora, é um dos muitos pedreiros existentes neste mundão. Talvez, estivesse construindo algum barraco numa rua próxima, aqui, no bairro. No seu carro de mão estava a confirmação da sua profissão: colher, prumo, desempenadeira, balde, régua... há quanto tempo labuta nesse mister? Quem o encaminhou a essa profissão?

"Julinha, Tiago, vão tomar banho! Estou ajeitando a comida de vocês".
Voz de uma mãe, vinda de dentro de uma casa da rua.
Prática, tarefa, comum às mães, que querem e podem exercer esse labor, dádiva espinhosa e gratificante de ser mãe.

Chego à avenida principal. De chofre, capto todos os itens que compõem estes ambientes, em toda parte: automóveis que vêm e vão à esquerda, à direita, apitam, esfumaçam a padaria e ganham, por "empatia", muitos xingamentos da fila do pão da janta, servido, daqui a pouco com ovo, mortadela, salsicha, café com leite ou não, suco, muitas vezes, de frutas dos próprios quintais.

Aqui, do lado esquerdo é o cemitério. A uns cinquenta metros, do lado direito é a casa Natal.
Esse cemitério, ora condomínio fabricante de taxas aos vivos, conheço-o desde criança. À época, eram poucos moradores e eu conhecia de nome quase todos. Quando tinha de passar em frente, usava o outro lado da estrada, olhar fixo no meu rumo, nunca virava a cabeça de lado para não dá de cara com algum morador(a), de branco, cara descarnada, pedindo reza, mandando recado à família ou, até, dando botija... quem sabe, não perdi a oportunidade de ser rico, né?

Pronto! Aqui, está a casa Natal, casa de comércio varejista de produtos alimentícios e produtos diversos. Já teve o seu boom, mas, ora, caminha a passos miúdos. Mas, o sensor da curiosidade acende e puxa a pergunta: por que casa Natal? Seria o dono Potiguar e quis homenagear o seu lugar de nascença ou ele crer no poder misericordioso do aniversariante da data para o sucesso nos negócios? Quiçá, sejam os laços natalinos desde os magos, que alcançaram a familia dele, como alcançaram a tantas outras famílias crentes, guardadoras, protetoras da fé, do brilho, da magia dos presépios, das luzes, dos corações, que se abrem ao perdão, o amplo amor, à solidariedade, gorros vermelhos e os (necessários ??), papais Noéis...?

Eis que chego à entrada da estrada de rodagem, de por aí, oitocentos metros que dá acesso à minha morada.
Já foi uma picada. No entanto, os braços do progresso abriu esta estrada por onde carreia o fluxo de caixa do restaurante/hotel/buffet, FAZENDINHA, empreendimento fincado, ali, a uns quinhentos metros, há mais de vinte anos.

Porém, o melhor de tudo, hoje, neste pedaço de chão que vai lá em casa é o olhão da lua espiando o mundo por sobre os galhos das mangueiras, cajueiros, enfiando fios de luz por entre as brechas das folhagens, vitrinando o balseiro das trepadeiras, melão-de-são-caetano, gitirana, abraçadas aos cansanções, refúgio de cobras à espreita dos preás, ratos rabudos, tejubinas, camaleões, que por ali passarem para se tornarem sustento aos elos da cadeia da existência.

Eu, peiado pelas cordas do gosto ao caminho, de olho no comprido da estrada, vislumbro, ao longe, uma lagoa reluzente, que nunca esteve por lá, mas que a lua, feiticeira, faz da areia branca, água límpida. Ilusão desfeita à beira da pseudolagoa. Oh, lua! Quão és poderosa!

Vixe!
Que faíscas esverdeadas são essas?
Ah, são, alguns, remanescentes, vagalumes, piscando suas lanternas, talvez, por causa da aproximação do Natal, queiram me desejar boas festas.

De repente, quase à porta de casa, o cheiro de mato, que o vento traz às narinas, não era mais cheiro. Era um odor já conhecido de outros momentos. Parei, esperei. Pronto: cruzaram a estrada, não mais que a dez metros de mim, duas raposas, possivelmente, um casal.
Não tem como não ficar sobressaltado, todo arrepiado, dormente, pesadão, sem forças para prosseguir.
Após o susto, ao transpor a porta de casa, aspirei, veementemente, a saúde do meu sandero.

FCO.Torres Escritor.
Francisco Torres
17/12/2025.

QUEM É QUEM, NA EDUCAÇÃO? Rendo, hoje, homenagem, às senhoras e senhores, realmente, professoresadeptos de Freire e agem...
15/10/2025

QUEM É QUEM, NA EDUCAÇÃO?

Rendo, hoje, homenagem,
às senhoras e senhores,
realmente, professores
adeptos de Freire e agem,
deveras, numa linhagem
virtuosa à profissão:
dão aula " com o coração "!
Da educação, baluartes!
São dessa linhagem, partes?
Eis meu aperto de mão!

Perdão a todos os que não
lastreiam esses requisitos.
Flutuam, bambos, esquisitos,
em lavor raso à profissão:
ímam-se ao soldo, à vocação,
rabiscada, ora, em seu conceito.
Ao abalo amoral vê-se o efeito,
parabolado no trigo com o joio.
Proporcional, deixo meu apoio,
meus Parabéns, meu respeito.

Educação boa, tem de ser pleito
de todo cidadão, mundo afora.
Mas o "poder", a ela, explora
em muito que lhe é de direito.
Eis que, as garras do malfeito
com o afago dos opressores
achatam, de todos, os valores.
Assim, o joio avança, propaga!
Curriculum bom não se apaga!
SALVE! Aos BONS PROFESSORES!

Salve! A esses construtores
de caminhos às ascensões,
ao alcance de profissões:
sejam liberais ou doutores
foram dos seus palcos atores
no teatro daquelas salas,
espetáculos em letras e falas
para o sucesso dessas vidas:
a essas pessoas queridas
devemos parabenizá-las,

F.Torres Poeta
Francisco Torres.
12/10/2018/19/20.

Endereço

Rua Da Prata, 30. Inhauma, Raposa-
Raposa, MA
65138000

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