08/06/2026
Feliz Aniversário🙏
VELHO CASARÃO (Poema de Gildo Bortolotto)
Velho casarão altaneiro
que me olha com os olhos do tempo
e espalha ao som do vento
a história de formigueiro.
Plantado nessa coxilha
qual quero-quero que espia,
sentinela que vigia
as almas que aqui vagueiam
daqueles que foram e ainda são
personagens que incendeiam
a nossa imaginação.
Guarda avançado do tempo
que bombeia o horizonte,
sabendo que aqui defronte
tanta coisa aconteceu
e hoje, sem testemunhas,
a memória se perdeu.
Lá, ao longe, as carretas
que a história nos ensinou,
e os guinchos fortes dos eixos,
ressecados de andarilhos,
ainda soam bem forte,
como o choro dos teus filhos.
Estas paredes são vida
e o alicerce é raiz,
plantado na terra nua
para servir de guarida
de pecadores e santos
de alegrias e de prantos.
Cada pedra tem o sangue
de escravos e libertos
que num passado incerto
aqui marcaram presença
e ainda hoje são vistos
em noites de lua cheia
na imaginação do sono
nos gritos de quem peleia:
“essa terra tem dono”.
Aqui onde a história é presente
onde o rio grande combatente
fincou pé e fez fronteira
e, em cada porta, a soleira
separando o ontem e o hoje
pra nos dizer num repente,
embora muitos não queiram,
que a vida só anda pra frente.
Velho casarão altaneiro
que me olha com os olhos do tempo,
por derradeiro te peço,
na tua simplicidade,
espalha ao som do vento
pra toda humanidade
honra, brio, valores do coração,
da verdadeira amizade
cevada num chimarrão
que nasce e ganha alento
ao redor d’um fogo de chão.