20/04/2026
REPOST:.flor instigante livro "Raça Social: uma leitura da racialidade brasileira", da querida Bárbara Carine, nos chega em um momento em que o debate racial está cheio de tensões que, em parte, se dão por um misto de ignorância e falta de vontade de se apropriar do acúmulo de conhecimento produzido pela intelectualidade negra e indígena, seja nos movimentos sociais, seja na pesquisa acadêmica. Por outro lado, essas tensões têm sido fomentadas por uma resposta da lógica ra***ta da branquitude aos avanços dos direitos conquistados pelos povos negros e indígenas nos últimos anos.
O livro faz uma apresentação panorâmica do debate racial brasileiro nas últimas décadas, de uma maneira acessível para públicos não acadêmicos - sem simplismos ou desonestidades intelectuais -, ao mesmo tempo em que se posiciona em relação ao contexto do fomento dessas tensões nas redes sociais. Por isso, é uma ferramenta importante para quem se perdeu no meio da profusão de informações rasas e desinformações que as redes têm reverberado e também um material precioso para usarmos em formações para apresentarmos esse cenário mais amplo, na forma de "uma leitura da racialidade brasileira", como nomeado pela própria autora.
Apresenta e explora dados e conceitos, articulando as dimensões do pensamento científico e filosófico que compõem a formação de Bárbara. Com isso, traz de modo sintetizado, mas não simplificador, uma série de indicadores que mostram os legados das formas de desumanização do racismo escravista colonial em nosso presente, impactando as populações negras e indígenas, refletindo sobre esses dados e nos convocando à ação antirra***ta.
É um trabalho corajoso, enfrentando uma das partes dessa tensão do debate em torno do que a autora chamou de "movimento neopardo", que, a partir das redes sociais, tem bagunçado ainda mais o cenário do ainda frágil caminho de busca da equidade racial. Sem fugir do complexo problema ligado com a mestiçagem e sem esquecer da presença da descendência indígena no fenômeno, o livro aparece como uma crítica interessante para as consequências desse movimento neopardo e suas proximidades com a lógica ra***ta da branquitude.
Vale muito a pena a