29/05/2026
ADEUS A PEDRO ORTAÇA: O ÚLTIMO TRONCO TOMBOU!
A madrugada de 29 de maio levou consigo a voz que ainda pulsava como raiz fincada no chão missioneiro.
Pedro Ortaça se foi aos 83 anos, num leito de hospital em Ijuí, e com ele se cala o derradeiro tronco de uma geração que reinventou o que significa cantar o Rio Grande.
Era o último Tronco Missioneiro ainda em pé.
Antes dele, partiram Noel Guarany, Cenair Maicá e Jayme Caetano Braun - quatro gigantes que não apenas musicaram a terra, mas a denunciaram, exaltaram e eternizaram com uma coragem rara. Enquanto o cancioneiro regional se ocupava de bailes e senhores, eles ergueram a voz para os índios, os negros, os pobres, as injustiças do mundo. Fizeram da música um ato de resistência e identidade.
Pedro Ortaça era o último. O que ainda subia ao palco mesmo "judiado da idade", o que confessava chegar abichornado e sair gigante, carregado pelo carinho do povo. O homem que, menino, espiava pelas frestas da Bailanta do Tibúrcio e descobria ali um destino que não escolheu - simplesmente acolheu.
E agora o ciclo se fecha. Não nascerão outros.
A Rádio Nação Missioneira nasceu exatamente para isso: para que esses quatro nomes jamais virassem apenas verbete de enciclopédia ou memória empoeirada. Nossa missão sempre foi cultuar, preservar e manter viva a chama dos Quatro Troncos - não como peça de museu, mas como música que segue tocando, inspirando e formando novas gerações de missioneiros.
Pedro Ortaça partiu, mas o legado é vasto demais para caber numa despedida.
F**am "Timbre de Galo", "Queixo Duro", "Bailanta do Tibúrcio".
F**a o exemplo de quem nunca precisou de berço de ouro para brilhar. F**a a honra de Doutor Honoris Causa por três universidades que reconheceram no cantor popular um mestre. F**a, acima de tudo, a dignidade de uma vida inteira dedicada a cantar a raça humana - suas dores, suas alegrias e sua história.
Hoje, o nosso chasque não é de festa. É de respeito, gratidão e compromisso renovado.
Os Quatro Troncos agora estão reunidos de novo, em algum galpão da eternidade.
Mas aqui, na querência que eles tanto amaram, a Rádio Nação Missioneira segue de pé - com a mesma missão de sempre: manter acesa a voz dos que nunca se calarão.
Obrigado, Pedro Ortaça.
A música missioneira não tem ponto final.
Texto: Tarso Weber | www.radionacaomissioneira.com.br