14/08/2021
Por várias vezes entrei aqui com um olhar de “estrangeira”, naquela tentativa de me distanciar do que faço para ver se gosto do que vejo... Não é uma perspectiva fácil...
Mas querem saber, hoje, com olhar de dentro ou de fora, eu amei tudo o que vi. Sem nenhum pudor, digo que meu coração transborda em cada palavra, em cada imagem, porque elas registram o momento criativo de muitos artistas que passaram por aqui. Faço parte da tribo que acredita que todos somos artistas - alguns despertos, outros quase. É comum a sensação de que não sabemos criar – crença de quem é condicionado desde cedo a permanecer “dentro da linha”. Mas no momento em que botamos o pezinho para fora da margem, o céu vira o limite. Observei muitos voos por aqui.
E não tem muito segredo. É só acolher os primeiros traços, abrir espaço e dar os primeiros passos. Lembrando, a liberdade conduz para a criatividade, mas é criando que nos sentimos livres. Mesmo que assuste ou dê trabalho. A jornada vale a pena.
Falando em jornada, lembrei a que vim (antes de me empolgar com o que vi). Estou aqui para contar que eu, Patricia (Casa da Árvore) e Andréia (Ateliê Feito de Afeto) – depois de muita conversa – decidimos pausar nossos projetos por um tempinho. Entendemos que completamos um ciclo – um lindo e produtivo ciclo.
Agora, para seguir, precisamos antes, parar. Olhar para dentro e para fora. Rever os primeiros traços, criar outros espaços, desenhar novos passos...
Sim, estamos a recuperar o fôlego e fortalecer as asas... Quem experimenta o céu, já não sabe viver sem ele. Mas quem já voou, sabe que o impulso vem da terra... Estamos nos “cultivando”.
A tod@s que voaram conosco até agora... De alma, recebam nosso agradecimento ... De coração, sintam-se abraçad@s!
P.S.: sobre a imagem - "O Terraço do Café na Place du Fórum, Arles à Noite" (1888) é uma das minhas obras preferidas de um dos meus artistas preferidos - Vincent van Gogh. "... um quadro noturno sem ter usado tinta preta...” – descreveu ele ao irmão Theo. Há mais “cores” entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia, teria dito Shakespeare, tivesse o privilégio de conhecer Van Gogh. Nós temos! E que venham muitos criativos como eles!