11/04/2026
O Centro Cultural Professor Faris Michaele lamenta profundamente o falecimento da pianista e professora Liana Justus, ocorrido no início da noite de hoje.
Ponta-grossense, sempre enalteceu sua terra durante toda a sua carreira, levando consigo o nome de sua cidade com sensibilidade e excelência artística.
Abaixo, transcrevemos seu perfil biográfico, elaborado pelo presidente Douglas Passoni de Oliveira por ocasião da apresentação de uma palestra da confreira Liana na Academia Feminina de Letras do Paraná, momento em que também recebeu o diploma de membro efetivo deste Centro Cultural.
Que os anjos a recebam com as mais belas melodias!
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Invariavelmente, falar de Liana Justus é falar de música. Euterpe que me perdoe, mas, neste rincão, é Liana Justus a nossa verdadeira musa da arte musical.
Aos quatro anos de idade, ao ouvir as notas que compõem a icônica Asa Branca, viveu o momento que marcaria o ponto de partida de uma cumplicidade sem fim com a música.
Não poderia ser diferente. Fruto de um lar profundamente musical, Liana teve como pai o exímio compositor e poeta Oldemar Justus, de quem recebeu as primeiras lições no acordeom – instrumento que ele dominava com a maestria de poucos. Oldemar não foi mestre apenas nas melodias: como escritor e poeta, teve uma produção profícua, ocupando com destaque a Cadeira nº 30 da Academia Paranaense de Letras, cujo patrono é Emiliano Perneta.
Aos sete anos, dois marcos importantes: o início dos estudos de piano e a emocionante homenagem do pai, que compôs especialmente para ela a canção intitulada Liana.
Graduada em Piano pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná e licenciada em Música, Liana iniciou sua trajetória como professora na Escola Tia Nilza, atuando na educação especial. Desde então, vem promovendo a inclusão social através da música, desenvolvendo conjuntos musicais, apresentações públicas e projetos que se estendem até os dias atuais.
Em 1994, juntamente com Clarice Miranda, idealizou, de forma pioneira, o Curso de Formação de Plateia em Música Clássica, com o objetivo de disseminar conhecimentos sobre a “rainha de todas as artes”, valorizando a Orquestra Sinfônica do Paraná e os músicos locais. O curso foi realizado por 20 anos no prestigiado Centro Cultural Solar do Rosário, alcançando projeção nacional. Em duas ocasiões, foi apresentado em Miami, a convite do Centro Cultural Brasil-Flórida, voltado à comunidade brasileira residente.
Permitam-me abrir parênteses para um breve testemunho: o livro homônimo ao curso ora citado transformou-me também em um transmissor desta missão de educar plateias, dando-me segurança durante meu trabalho à frente do Conservatório de Ponta Grossa e em tantas outras atividades pedagógicas que ainda permeiam meu dia a dia. Fecho parênteses.
Com uma formação acadêmica sólida e múltipla, Liana sempre investiu na excelência de suas atuações profissionais. Nesse espírito, idealizou e dirige o curso Encontros de Música Clássica, voltado principalmente ao desenvolvimento da escuta musical ativa, promovendo conhecimentos sobre a história da música e a atualização permanente de seus alunos acerca dos grandes nomes da música clássica, nacional e internacional.
Na Academia Feminina de Letras do Paraná, Liana Justus é a terceira ocupante da Cadeira nº 11, cuja patronesse é a pianista e compositora Guilhermina Cunha Lopes. Coincidentemente, esta mesma cadeira já foi ocupada por outra grande defensora da história da música no Paraná, a historiadora Roselys Vellozo Roderjan, responsável, entre tantos feitos, pela organização do acervo pessoal do compositor Bento Mossurunga.
Finalizo este brevíssimo relato biográfico com algo que, propositalmente, deixei para o fim: Liana Marisa Justus é ponta-grossense. E, é de lá, que para selar este encontro, enquanto presidente do Centro Cultural Prof. Faris Michaele, tenho a honra de lhe entregar o diploma de membro efetivo da instituição – título que muito nos honra e enriquece nosso hall de associados.
Salve a música e a poesia!
Salve, Liana Justus!
(Douglas Passoni de Oliveira - Curitiba, 5 de setembro de 2025)