A Escola Piracicabana de Capoeira Angola (EPCA) é localizada no bairro Monte Rey II, localizado na região norte da cidade. Piracicaba é um município cujo passado deve ser remetido à cultura escravista, tendo sido a terceira cidade paulista a receber o maior contingente de pessoas negras escravizadas. Esse histórico possibilitou que manifestações de resistência do povo negro se reterritorializassem
e se reinventassem em terras piracicabanas, a exemplo do Batuque de Umbigada e o Samba do Lenço, ambas formas de expressão da identidade cultural afro-caipira de matriz bantu. A EPCA tem se consolidado como um espaço de referência de formação e fortalecimento da cultura afro-brasileira na cidade de Piracicaba e na região. As atividades oferecidas pela escola contemplam uma gama de ensinamentos que estão em consonância com a sabedoria da ancestralidade africana dos povos da diáspora. No recinto da escola, bem como em outros espaços culturais e públicos da cidade, são realizadas aulas e vivências de Capoeira Angola e Dança Afro, que têm como objetivo a valorização da linguagem corporal, dos fundamentos e da musicalidade expressas na identidade negra. Assim, além das aulas semanais, a escola fomenta, de forma independente, rodas mensais de capoeira, bem como ações solidárias para a comunidade e eventos de formação cultural com importantes mestres da tradição afro-brasileira. Em 2018, o Ministério de Cultura, por meio da Secretaria de Diversidade Cultural, reconheceu a Escola Piracicabana de Capoeira como Ponto de Cultura a partir dos critérios estabelecidos na Lei Cultura Viva (13.018/2014), certificando-a como um Espaço Cultural que desenvolve e articula atividades culturais em sua comunidade, e contribui para o acesso, a proteção e a promoção dos direitos, da cidadania e da diversidade cultural no Brasil. A EPCA é um espaço de resistência, de fácil acesso às crianças, adolescentes e adultos de um território socioeconomicamente tornado vulnerável, que tem a missão de compartilhar conhecimento com a comunidade, restituindo a memória negro-brasileira às ruas. Assim, a EPCA expande o campo de atuação na Cultura, fortalecendo as manifestações culturais de matrizes afro-brasileiras na periferia e comunidades.