04/08/2026
“Nascer, viver, morrer. Nascer é ultrapassar o limiar que nos separa do todo. Ou melhor, nascer é destacar-se do nada, é envolver-se numa nova direção.
Nascer é confrontar o caos, opondo-lhe resistência, pois quem resiste ao homogêneo, nasce. E ao chegar, encontra tudo que constitui este movimento bruto. Com maior ou menor força, nascemos.
Não é fácil vir ao ser, ele contrapõe-se com bronze a dureza. E se nascemos, é para num primeiro momento desafiar o caos, insistir em ser algo diferente dele, como a onda quer desprender-se do mar. Tudo que nasce, institui algo novo e firma um ponto, como a âncora mergulhada no desconhecido, dentro dele, mas indiscutivelmente fora.
Nascer é romper a superfície para tomar um pouco de ar. A primeira inspiração queima os pulmões virgens como água ardente na garganta inexperiente.
Nascer é entusiasmar-se com a mistura de fogo, terra, água e ar. Tudo existe com força e magia aqui fora. Se prestarmos atenção, todas as coisas gritam seus nomes, elas brilham, brilham até demais.
Vemos suas cores, cheiramos seus perfumes, tocamos e somos tocados pelo mundo. Sentimos a existência como algo absurdamente real, no entanto, misteriosa. E como poderia[…]”
From Imposturas Filosóficas: #272 existe vida antes da morte | eterno retorno, finitude e recomeço, 1 Nov 2024
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