26/03/2018
O xadrez trata trasntornos de atenção.
Dados fornecidos pelo site Psiq Web, apontam que o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperativismo (TDAH) afeta cerca de 10% da população mundial. No Brasil, a doença é constatada de 3,6% a 5% na população escolar, sendo 25% em crianças. Embora a doença seja observada com mais frequência na infância, 66% das crianças continuam demonstrando os sintomas na adolescência e 50%, na idade adulta. Dos 17 milhões de brasileiros com TDAH, apenas 30 mil pacientes estão em tratamento. A doença não tratada gera outras complicações, como ansiedade generalizada, depressão, síndrome do pânico e transtorno obsessivo compulsivo (TOC).
Observando isso, o professor Flávio Marvejol identificou, por meio de um projeto que ele já realizava em escolas, o xadrez como agente de mudança comportamental em pessoas com TDAH. Graduado em Educação Física e em Pedagogia, o professor descobriu a atividade como auxiliar no tratamento de pessoas que possuem a doença e transformou a pesquisa em objeto do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da pós-graduação em Esportes e Atividades Físicas Inclusivas para Pessoas com Deficiência, oferecida pelo Centro de Educação a Distância (Cead) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), no Polo de Cubatão.
Durante o desenvolvimento do trabalho, foram estipuladas diretrizes: “Para apontar a mudança atitudinal, eu tinha contato na escola com os responsáveis pela documentação e dados que indicavam a evolução cognitiva do aluno. Além de manter um ótimo relacionamento com o pais do protagonista do relato que, quando contatados, disponibilizavam pronto atendimento e testemunhavam a evolução do filho nos aspectos pesquisados ao longo do período em que participou do projeto”, lembra o professor.
A pesquisa foi realizada de 2008 a 2011 e apontou o xadrez como um agente de mudanças de atitude e cognição do portador de TDAH. A atividade é uma poderosa ferramenta para auxiliar as pessoas na aquisição da autoestima, no exercício da sociabilidade, na melhora das relações familiares e no sucesso no meio escolar. “O praticante de xadrez tem por obrigação cumprir as regras do jogo e, no convívio com os demais jogadores, aprende a ter atitudes cordiais e respeitosas. A cognição se desenvolve porque o praticante, antes de realizar uma jogada, deve fazer a leitura da provável intenção do adversário e desenvolver uma estratégia que configura uma crescente no raciocínio lógico”, destaca Flávio Marvejol.
Antes de frequentar o projeto de xadrez, o aluno observado por Flávio tinha comportamento agressivo e não se relacionava com os colegas de classe. O TDAH foi diagnosticado quando ele tinha apenas seis anos de idade e, de acordo com a mãe, o xadrez trouxe um desenvolvimento cognitivo e social alcançado nem mesmo com o uso de medicamentos. “O projeto de xadrez, como todo projeto educacional, é excelente. Quando a atividade entrou na vida do meu filho, apenas trouxe benefícios em relação a sua concentração, atenção e profissionalismo. Hoje, vejo meu filho, mesmo tomando remédios, muito mais concentrado e participativo, ajudando e ensinando outros”, afirma a mãe do aluno.
A iniciativa de participar do projeto partiu do próprio aluno quando ele tinha 7 anos de idade e cursava o 2° ano do ensino fundamental. Hoje, no 7° ano, ele ainda participa dos torneios esportivos da atividade e optou por se dedicar à prática pelo seu desenvolvimento. “Porque existem regras no xadrez e na escola que temos que cumprir e pelo amor à minha família”, destacou.
Claro que como todo projeto pedagógico, necessita acompanhamento evolutivo, além de todo tipo de incentivo, seja ele por parte dos colaboradores seja por parte dos interessados.