21/12/2025
Oficina de Graffiti - Projeto 🏹🍃🏹🍃
No dia 5 de dezembro, acordamos cedo e pegamos a estrada ainda sob uma lua cheia gigante, dessas que iluminam o caminho e anunciam que algo importante está por vir. Seguíamos em direção a uma das experiências mais marcantes que já vivi, tanto como pessoa quanto como educador.
O destino era a Aldeia Tapirema ( ) e a Aldeia Piaçaguera ( ), localizadas em Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, território da etnia Tupi Guarani. Mais do que uma oficina, o que se anunciava ali era um encontro.
Cheguei com o desejo de compartilhar um pouco do meu conhecimento sobre a arte do graffiti, mas logo entendi que aprenderia muito mais do que ensinaria. Durante o final de semana, vivenciei trocas profundas: conhecimentos ancestrais sobre as ervas, os cantos, o modo de compartilhar o alimento, as conversas e decisões nas ocas centrais. Aprendi sobre o tempo coletivo, sobre a escuta e sobre a força da convivência.
A oficina de graffiti foi construída a partir do diálogo. Começamos explorando quais símbolos, desenhos, animais, grafias e ideias eles tinham vontade de representar no painel coletivo. O graffiti não chegou como imposição, mas como ferramenta para que essas imagens já existentes pudessem ganhar novas formas.
Em seguida, veio o primeiro contato com a lata de spray — para muitos, era a primeira vez. O treino inicial abriu espaço para descobertas, curiosidade e coragem. Logo depois, passamos para o tecido onde a arte final seria criada. Com folhas de sulfite nas mãos ou com as ideias já desenhadas na cabeça, começaram a esboçar seus traços. Foi surpreendente ver como, em tão pouco tempo, alguns demonstraram uma habilidade natural com o spray.
O painel foi pensado e construído coletivamente. Houve ajuda mútua na pintura, nos encaixes dos desenhos, na busca por harmonia entre formas, cores e narrativas. Cada gesto dialogava com o outro, respeitando o espaço comum e fortalecendo o sentido de criação coletiva.
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