22/11/2023
Começo esse texto com duas palavrinhas que me movem pelo mundo há algum tempo: CORAGEM e OUSADIA.
O trabalho com corpo e movimento se constitui no presente e, por mais que planejamentos sejam de extrema importância para estruturar e organizar, é preciso ter coragem e sensibilidade para improvisar quando necessário. E a gente só consegue fazer isso quando está atento às "acontecências", aquilo que está sendo no momento em que acontece.
Mas o que é isso, Gabriella? Endoidou, foi? Sim. Com tantas experiências por aí conduzindo grupos grandes e pequenos, foi preciso aprender também a ousar. E ousadia combina muito com coragem. Coragem para encarar limitações de espaço, falhas técnicas no som, medos das pessoas que se misturam com os meus, insegurança sobre aquilo que estou fazendo e mostrando para o mundo.
Hoje eu tinha preparado algo lindo, um planejamento impecável. Mas me deparei com uma sala pequena e um calor fora do esperado para a época, 38°C. Tá. Pensei: "Calma. Isso já aconteceu antes, a sensação já é conhecida. Frio na barriga. Respira fundo e vai. Caminha por entre as linhas do desconhecido. Vai tateando devagar a atmosfera, sentindo o grupo."
E assim, fizemos o exercício de olhar para a casa que nos abriga dia após dia: nosso corpo. Nos movemos sozinhos e conjuntamente. Sorrimos umas para as outras. Dançamos. Nos humanizamos quando olhamos nos olhos umas das outras com afeto e nos nutrimos de muita vida.
Eu sequer usei uma proposição que havia planejado. Com coragem, ousei. E ouso todos os dias quando escolho ser resistência e acreditar naquilo que faz meu coração bater mais forte: dançar e doar meus pontinhos dançantes mundo a fora ❤️
📷 Registros da Oficina Poéticas do Corpo para os trabalhadores da Escola Municipal de Educação Infantil Antônio Caringi