16/05/2023
A difícil prática da sabedoria e do verdadeiro desapego.
Triste realidade! Estás à espera de quem?
Já não espero ninguém, estou só a usufruir a brisa passar.
Não tens família?
Tenho! Deixei de esperá-los.
Estão zangados?
Não! Estamos resolvidos, de bem com a vida.
Como assim?
Aprendi com os anos de caminho que não devemos esperar ninguém.
Mas, uma mãe deve esperar sempre os seus filhos.
Por muitos anos achei que sim, depois aprendi que só esperamos na ilusão de posse.
No dia em que entendemos que ninguém pertence a ninguém, que até os filhos são do Universo
passamos a ser livres para receber, sejam os filhos ou tudo o que a vida nos reserva.
E quando os filhos não chegam?
Quem nada, nem ninguém espera, tudo é só vida a acontecer.
É difícil de entender.
Eu sei, fomos iludidos a sentir amor como apego, quando a verdade é que o autêntico Amor é saber desapegar, Amor é liberdade para amar sem prender, para amar permitido ao outro voar.
E não sentes solidão?
Ela não existe para quem resgatou para si o direito de também continuar a voar.
E hoje, mesmo de forma diferente, aceito e ajusto e continuo a permitir-me ao meu vôo.
E quando não conseguires?
Eu acredito que quem se permite a ser livre, a morte chegará leve, quando o meu corpo físico deixar de poder voar, partirei de regresso a casa.
E sabes, acredito também que esse é o propósito da vida, nunca deixar de voar, para em Alma vôo para sempre Ser.
Até lá, vou continuar a usufruir simplesmente a brisa passar."
Via: Maria Luiza Das Graças.