04/02/2023
NOTA DE REPÚDIO:
Em defesa constante das políticas culturais, o coletivo A Bolha é a favor de mobilizar a resistência artística através da cobrança, da produção e do enfrentamento político. Essa luta constante pulsa nas raízes do grupo. Sabemos também que a cultura é indissociável à educação, sendo assim, um direito constitucional. Portanto, manter proximidade com as políticas culturais é dever da presente entidade cultural. Rigorosamente acompanhamos os fatos envolvendo o meio artístico — em âmbito palhocense, estadual, nacional e internacional. Por essa linha, não titubeamos em manifestar descontentamento com os fatos recentes envolvendo a gestão da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).
Nesta semana, um fato incômodo ressoou não tão somente nas esferas d’A Bolha, mas também em todos os nichos culturais de Santa Catarina. Trata-se da nomeação de Rafael Nogueira para a presidência da instituição máxima da política cultural no Estado de Santa Catarina. E, antes de debruçarmos nossas críticas a tal personalidade, cabe destacar o que muitos já esperavam: o governador Jorginho Mello (PL) — do mesmo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro — é o responsável por tal nomeação, por indicação da deputada estadual Ana Campagnolo (PL) — conhecida por ser conservadora, anti feminista e defensora do armamentismo.
O indicado é conservador ao ponto de ser um reconhecido defensor da monarquia — uma controvérsia execrável nos tempos da república democrática. Não menos destoante com o setor cultural é o apoio que Rafael Nogueira já demonstrou ao ex-guru bolsonarista Olavo de Carvalho — “filósofo” terraplanista, conservador e um anti vacina que pereceu aos males da Covid-19.
Outros exemplos não faltam da visão etnocêntrica e despreparada do novo gestor da FCC. Em um dos casos, relembrado em publicações recentes da imprensa, Nogueira declarou em suas redes sociais que considera o Carnaval "uma grande m***a", entre outros comentários pejorativos. No mínimo, essa afirmação é contraditória para esse personagem, uma vez que a festividade é de origem cristã e foi trazida ao Brasil pela monarquia portuguesa. Aqui, relembramos que as festas carnavalescas foram adaptadas pela cultura brasileira, absorvendo influências significativas da afrodescendência.
Em repetidas ocasiões, Nogueira demonstrou simpatia pelas políticas bolsonaristas. Ele inclusive, já fez aparições sorridentes ao lado do ex-presidente. Durante o recente governo de extrema-direita, Rafael ascendeu nas políticas culturais: foi presidente da Biblioteca Nacional, entre 2019 e 2022. Também atuou como secretário da Economia Criativa e Diversidade Cultural da Secretaria Especial da Cultura. Esse também foi um período de desalento dos artistas de todo país.
Por esses e outros exemplos, nós do coletivo A Bolha repudiamos tal nomeação. Acreditamos que há incompatibilidade na postura de Nogueira em relação às políticas culturais. Durante a gestão, Nogueira será responsável pela execução das Leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc, além dos investimentos já anunciados pelo Ministério da Cultura, através da ministra Margareth Menezes. Enxergamos que o histórico político do indicado pode colocar em séria ameaça o sustento de milhares de produtores culturais de toda Santa Catarina.
Sugerimos que todas e todos que respeitam as políticas públicas em torno da cultura catarinense assinem a petição contrária à nomeação.
O documento pode ser assinado no link: www.encampa.com.br/contra-a-nomeacao-de-rafael-nogueira-para-a-fundacao-catarinense-de-cultura/