A comunidade do bairro São Pedro, localizado na cidade de Porto União (SC), tem orgulho de sustentar a tradição de construir uma grande fogueira de lenha, sendo construída pelos próprios membros da comunidade nos finais de semana, com a participação de aproximadamente 50 pessoas que deixam os seus momentos de descanso e lazer para manter viva a tradição local. A tradição da fogueira iniciou-se em
1935, quando diversos membros da comunidade de Tocos, como era conhecido naquela época o local que hoje se chama bairro São Pedro, decidiram montá-la pela primeira vez por ocasião da festa do padroeiro. Mas nem sempre foi a altura da fogueira que atraia o público da festa. Nos primeiros anos, quando a fogueira era de aproximadamente 10 metros de altura, a atração f**ava por conta dos balões, exibindo-se os mais coloridos, os maiores e os mais criativos que subiam ao céu, até que veio a proibição e a conscientização sobre o perigo de soltar balões. Em substituição a tradição dos balões, a fogueira começou a ganhar altura, ultrapassando a marca dos 57 metros de altura na década de 1980, dando notoriedade nacional através de reportagens em noticiários de TV (Jornal Nacional e Fantástico), jornais e rádios, chegando a despertar muitos concorrentes em outros estados. Com o passar dos anos devido ao aumento da população do bairro, o local disponível para o evento ficou menor, devido às construções de moradias ao redor do espaço utilizado para a construção da fogueira, também pela dificuldade de encontrar eucaliptos suficientemente altos e por medida de segurança, nos últimos anos a comissão organizadora tem mantido a fogueira em uma altura média de 20 metros. A organização da festa envolve diversas equipes, divididas em setores, porém a parte mais complexa e trabalhosa é construir a fogueira. O trabalho inicia-se aproximadamente três meses antes da data da festa, com a escolha dos eucaliptos que servem de base para sustentar toda a madeira que será empilhada para dar o formato da fogueira. O corte e o transporte dos eucaliptos é feito com muito cuidado devido ao comprimento e o peso, sendo necessário montar uma equipe de escolta para abrir o caminho e sinalizar o trânsito. Outro trabalho pesado é o corte e o carregamento de lenha no mato, que é feito por membros da comunidade, nos sábados e domingos. Com os eucaliptos no pátio, os mesmos são emendados com braçadeiras de ferro para aumentar a altura e em seguida erguidos com guindaste, enterrados e amarrados com cabos de aço e arames, e em seguida começa o empilhamento da lenha, seguindo o conselho e a experiência adquirida durante muitos anos, para que tudo aconteça dentro da maior segurança possível. No início a lenha era erguida no estilo formiguinha, isto é, as pessoas f**avam agarradas na lateral da fogueira e um alcançava a lenha para o outro até chegar ao topo, como a altura aumentava a cada ano, a lenha passou a ser puxada para cima por um cavalo “Baio” utilizando-se uma corda presa a uma roldana colocada em cima da armação de eucaliptos, hoje a lenha é puxada por um trator histórico, Americano (USA), marca Allis-Chalmers, ano de fabricação mais ou menos 1930, conhecido carinhosamente por “Girico”, de propriedade da família Carneiro que gentilmente cede o mesmo para o trabalho a vários anos. O trator “Girico” desperta a atração da população devido a sua aparência histórica, pois não conhecemos a existência de outro igual. A base da fogueira inicia-se com madeira de aproximadamente 3,5 metros de comprimento, empilhada e encaixada pelo lado de fora dos eucaliptos a uma altura de aproximadamente 8 metros, de maneira a dar maior segurança e sustentação a fogueira. Em seguida a madeira passa a ser empilhada pelo lado de dentro dos eucaliptos até alcançar o topo que termina com lenha de um metro, onde são colocados acabamentos em bambu, palmeira e a instalação de uma estrela que f**a acessa durante todas as noites que antecedem o dia da festa, sendo substituída pelos fogos no dia do evento. O acendimento da fogueira já foi realizado por pessoas ilustres convidadas pela comissão organizadora, onde podemos destacar: deputados, prefeitos de Porto União, prefeitos de União da Vitória, bispos diocesano, párocos, empresários locais e pessoas de destaque da comunidade. Vale ainda informar que para acender uma fogueira de 20 metros de altura seria difícil uma pessoa subir até o topo para iniciar o fogo, para tanto foi criado um dispositivo elétrico onde o padrinho ou a madrinha da fogueira apenas ao toque de um botão procede o acendimento no topo da fogueira.