26/02/2021
Em 8 de setembro de 1917, na cidade de São Paulo, o periódico “A Plebe” trazia uma mensagem de resistência na primeira página: “Havemos de reagir, apesar de tudo”. A repressão dos da polícia se tornavam cada vez mais fortes e violentas, e as negociações com os proprietários dos meios de produção, cada vez mais difíceis.
O entendimento de união da classe operária é muito cara à ideologia anarquista desse momento. Se as relações de trabalho abusivas se reproduzem por todos os lugares do Brasil, então a classe operária é um só corpo, irmãos e irmãs que sofrem do mesmo mal, cujo remédio é o mesmo: a queda do sistema econômico capitalista. Por isso, jornais como este relatam às operárias e operários da capital paulista outros exemplos de exploração, de resistência e luta por melhoria na qualidade de vida e trabalho, e buscam compartilhar experiências e informações com outros movimentos.
Por isso, nessa mesma data, acusava a situação exploratória na Ouro Preto Gold Mines of Brazil Ld, fundada em 1884 e que retomou a exploração do ouro em Passagem de Mariana, distrito de Mariana que f**a entre as duas cidades. A Mina da Passagem, como é conhecida na região, foi construída para subtração de minério da região pela Europa, sob regime de escravidão durante o Ciclo do Ouro, período de 1695 a 1800, em que a produção mundial de ouro foi de 1.421 toneladas métricas. A capitania de Minas Gerais, praticamente Ouro Preto e Mariana, contribuiu com 700 toneladas, ou seja, 50% do ouro produzido no século XVIII.
Em 1917, a empresa é descrita como um polvo de enormes tentáculos “que explora os miseráveis trabalhadores, nas suas minas, onde sofrem as maiores infâmias”. Comparando empresários com uma “quadrilha de bandidos”, alerta ao operariado que não cai na tentadora proposta de trabalhar nas “jazidas na Passagem de Mariana, onde, além de receberem um tratamento desumano e bárbaro, são roubados por mil maneiras, sem poder defender-se”.
REFERÊNCIAS:
https://mariana.minasdapassagem.com.br/historia/
FERREIRA, G. A Estrada Real e as grandes construções em Portugal. Programa RUMYS, Projeto Estrada Real, 2009.
The Ouro Preto gold Mines of Brazil. A Plebe. São Paulo, 08 de