A Cerâmica Saramenha começou a ser produzida oficialmente no início do século XIX, na chácara Saramenha, a 3 km de Ouro Preto. Como era quase impossível fazer chegar ao Brasil colonial as louças usadas na Europa, a Cerâmica Saramenha passou a substituir as peças importadas e desfilar pelas cozinhas e mesas pelas vilas de Ouro Preto, Cachoeira do Carmo, Sabará, Santa Luzia, Mariana, Caetés, Barão
de Cocais e Santa Bárbara. A fábrica de cerâmica foi aberta em Vila Rica (hoje Ouro Preto), na chácara do Barão de Saramenha, daí o nome da técnica. A fábrica, uma iniciativa do Padre Viegas, abasteceu de louças inúmeras cidades ao longo da Estrada Real, até que foi fechada, por causa da proibição imposta pela Coroa Portuguesa de se fazer produtos manufaturados no Brasil. Os trabalhadores, no entanto, continuaram a produzir a arte, que começou a ser passada de pai para filho. Ela já estava considerada extinta quando em 1981 descobriram em Ouro Branco Mestre Bitinho (Silvério Guardiano Salgueiro), único louceiro da região. O pesquisador Pedro Arcângelo Evangelista, conhecido como Petrus, conseguiu chegar até Bitinho e o considerou o “último depositário da técnica de queima e vitrificação com sal grosso”. Na época com 77 anos, Bitinho estranhou ser o único a usar a técnica, que herdou do bisavô e que era “segredo de família”. Morreu em 1998, mas ante de falecer me passou seus ensinamentos. E hoje carrego essa herança maravilhosa de um dos dez ofícios que estão ameaçados de extinção em Minas Gerais.