14/01/2026
No coração da música popular brasileira, brilhou como clarão uma voz que atravessou rádios, carnavais e telas de cinema. Otávio Henrique de Oliveira, imortalizado artisticamente como Blecaute, nasceu em 5 de dezembro de 1919, em Espírito Santo do Pinhal, interior de São Paulo. Órfão ainda criança, enfrentou a dureza da vida nas ruas de São Paulo antes de conquistar os estúdios de rádio, a noite carioca e os palcos do Brasil inteiro com sua ginga, sorriso e talento extraordinário.
Além da vida difícil, em luta pela sobrevivência nas ruas, conheceu o Carnaval e ao conhecê-lo, viu-se em terreiros com mães de santo, pedindo proteção conhecendo Tiriri, Sete Encruzilhadas e Tranca rua, ponto de reza que incorporaria ao cantar seu enorme sucesso e os batuques de carnaval, que se enraizaram nele.
Blecaute tornou-se símbolo do Carnaval e da música popular, conhecido como “General da Banda”, título herdado de seu maior sucesso carnavalesco, o samba-marcha “General da Banda” — marcha que virou marca registrada de sua carreira e que o acompanha como um estandarte da alegria popular.
Seu repertório inclui dezenas de obras que entraram no imaginário coletivo brasileiro: “O Pedreiro Waldemar”, crítica bem-humorada e socialmente incisiva; “Maria Candelária”, sátira às funcionárias públicas; “Maria Escandalosa”, expressão festiva do espírito carnavalesco; “Papai Adão”, brincadeira sobre relações humanas; “Que Samba Bom”, declaração de amor ao próprio samba; “Dona Cegonha”, “Ai Cachaça”, “Joãozinho Boa-Pinta”, “Arrasta a sandália aí”, “Meu Guarda-Chuva”, “Desce Favela”, “Santo Antônio Não Gosta”, e muitas outras que transformaram palcos, ruas e festas em festa musical.
Além do repertório carnavalesco, Blecaute mostrou sua sensibilidade em composições fora do circuito festivo. Canções como “Natal das Crianças”, de sua própria autoria, tornaram-se parte da tradição popular das festas de fim de ano, ecoando nas celebrações com a mesma ternura que a valsa natalina clássica.
Sua arte também iluminou as telas do cinema brasileiro. Em 1944, participou como cantor no filme Tristezas Não Pagam Dívidas, marcando a transição entre o rádio e a sétima arte. Em 1954, teve papéis em produções