08/01/2022
Esse quadro foi o segundo quado que eu considero um início de uma expressão realmente minha. Incentivado por um empresário bem sucedido, vendo meu anúncio no jornal onde eu oferecia pinturas para decoração, ele me ligou e me pediu para que eu fosse no escritório dele com meu portifólio (na época não havia internet para postagens de imagens como temos hoje).
Pessoa extremamente generosa e inteligente, tal empresário, foleou meu portifólio, fechou e me disse: Gostei muito de teu trabalho, mas eu vou te fazer um pedido especial, eu quero um trabalho TEU.
Na hora eu respondi que eu nunca havia pintado um trabalho realmente meu e que isso era muito difícil e que nunca teria sido meu objetivo de vida, pintar "COISAS MINHAS". Que eu pintava para decoração e estava feliz assim, que eu não tinha nada "meu" para dizer ao mundo.
Ele respondeu, "então não quero nada". Eu abaixei a cabeça, sorri e disse, "você realmente sabe fazer negócios, vc sabe que eu não vou sair daqui com as mãos abanando, sem um contrato".
Ele muito gentil deu um sorrisinho e disse: "Então pinte um quadro para mim." Eu então falei, "Ok, eu vou para casa e vou tentar buscar pintar algo que seja meu. Mas como eu nunca tentei isso na vida, isso pode ser rápido, ou demorar. E eu tenho de fazer outros trabalhos para ganhar dinheiro. Então, eu dou minha palavra que paralelamente à minha faculdade e aos meus outros trabalhos, eu me dedicarei à sua encomenda.
Levou um tempo e eu penei, penei, penei e penei... começava skizes e jogava fora, começava e jogava fora... Meus colegas estudantes acompanharam meu processo e alguns diziam... "ah, faz alguma coisa e diz que é teu". Eu dizia, "não, o homem é inteligente e culto, vai perceber que eu fiz qualquer coisa".
Eu cheguei à conclusão de 3 skizes e confusa levei até ele.
Ele gostou muito de um e encomendou. Eu perguntei por que ele tinha gostado daquele, ele disse "pq esse é original e me agrada a composição, as cores, etc." Então eu peguei o que ele me descreveu e disse a mim mesma, "esse é um caminho que eu nunca trilhei, mas é interessantíssimo!".
Daí comecei a desenvolver meus próprios trabalhos nesta linha ... por dizer ... estética, mas sem preocupação em me "enquadrar" a conceito estético nenhum, apenas expressar o que há em mim.
Este quadro chamado "Horizonte" foi o segundo que fiz, depois do quadro que vendi a tal empresário, e se encontra em posse de Sönke Gerd Backens.