19/05/2026
Crie uma poesia sobre uma relação humana, sobre como duas pessoas se conheceram. Use o contraste de costumes e manias: uma pessoa que ama o silêncio, envolta na bebedeira de sorrisos altos, regados a música alta.
Evite clichês: almas, sonhos e brilhos nos olhares. Nada de “amor à primeira vista”. Opte por algo mais incômodo e transgressor, como os olhares dos outros tentando decifrar nós dois. A via única da autenticidade em não estar nem aí pra nada (ou pra tudo) pouco se fudendo. Um beijo de duas amizades mais quente que o s**o de um amor romântico.
Deixe as linhas curtas, se necessário. Mas, se preferir, atravesse a composição com uma risca maior, como ela fez em minhas costas enquanto transávamos no sofá da sala de estar. Sua unha torturou minha pele e meu sangue se misturou ao seu esmalte vermelho. Feliz com sua marca em mim, não tratei nem me importei. Deixei meu corpo se acostumar ao flagelo.
Use palavras difíceis, de pouca compreensão, para o público tentar entender, como da vez em que ela desabou e suas lágrimas, escorrendo na minh’alma, fizeram meu corpo gelar. Seu choro rangeu e ecoou no meu peito por dias. E eu nada pude fazer, pouco entendi sua dor.
Mas, se tudo parecer rebuscado, complicado e pomposo, traga sutilezas de uma vida comum: como quem entende um silêncio no meio de uma conversa; um olhar meio de lado, cabisbaixo, de quem, cansada de sofrer, busca paz. Use vírgulas e reticências para os momentos em que ficamos longe, mas sabíamos que nos encontraríamos nos próximos versos.
Texto e pintura por brunus otiun
# amizade