29/05/2024
Em um cantinho aconchegante da memória, repousam as lembranças de mulheres fortes e talentosas que moldaram meu caminho com fios de amor e agulhas de sabedoria. A tradição do bordado manual ecoa em meu ser como um legado precioso, um elo intangível que me une a meus antepassados e me inspira a reviver os tempos de outrora.
Recordo-me com carinho da Vó Anália, com seus dedos ágeis transformando simples retalhos em elegantes fuxicos, um verdadeiro mosaico de cores e formas. A bisavó Gerosa, com paciência, tecia tapetes de retalhos que contavam histórias de tempos passados e de vivências entrelaçados. A Tia Avó Tia Tonha, mestra do ponto cruz e bordado livre ensinou-me a paciência e a precisão necessárias para criar peças lindíssimas com cada ponto entrelaçado.
E como esquecer da minha mãe, com sua habilidade ímpar em transformar linhas em delicados bicos que adornavam toalhas e panos de prato com leveza e elegância? Cada uma dessas mulheres, com sua arte singular, depositou em mim um pouco do seu conhecimento, despertando em meu coração a chama da criatividade e do apreço pelas tradições que carregamos em nossa linhagem.
Hoje, honro suas memórias e seus ensinamentos por meio do meu trabalho, entrelaçando nas minhas criações a herança de cada uma delas. Cada ponto, cada laçada, carrega consigo a essência e a alma dessas mulheres que, com suas mãos sábias, bordaram não apenas tecidos, mas também o tecido da minha própria história.
Assim, em cada peça que confecciono, celebro a tradição, a arte e o amor que me foram dados, mantendo viva a chama da criatividade e da conexão com minhas raízes. Que os bordados da vida possam continuar a tecer laços de afeto e lembranças, perpetuando a beleza e o valor das tradições que nos foram passadas de geração em geração.