02/11/2023
Ainda vemos muita gente desenvolvendo jogos para o público "masculino" ou para o público "feminino", segmentando o mercado como faziam os antigos sumérios. Você já parou para pensar se isso faz sentido para videogames?
Esse tipo de segmentação vem do marketing "clássico" e da venda de produtos cuja venda depende da fisiologia humana e da definição do gênero biológico. Mas games não são como uma cueca ou um shampoo e você pode estar cometendo um erro!
E esse assunto não é exatamente novo, já que temos um artigo da Nicole Lazzaro de 2008 (link no final) em que ela critica essa prática e apresenta ótimos argumentos que vão na direção de mostrar que meninos e meninas são muito mais parecidos do que diferentes quando se trata de cognição.
Devemos, segundo ela, focar nossa segmentação no tipo de experiência que queremos propor, fazer um jogo tipo shooter, um jogo tipo puzzle, um hyper casual de gerenciamento, pode atender públicos em todo o espectro de gêneros identitários! Uma menina pode amar um shooter sangrento e um menino pode amar um puzzle kawaii.
Segmentar por demografia é mais fácil, pois os dados são quantitativos e facilmente tabuláveis, por isso a prática se mantém. Segmentar baseado em experiência de gameplay depende de um escrutínio mais qualitativo de nosso público, mas nos fornece dados mais profundos e ricos.
Já tinha parado para pensar nisso? Seu negócio já teve problema com essa prática? Conte para mim o que você acha aqui nos comentários e mande para aquele seu amigo que está penando para definir um público para seu jogo.
"Are boys games even necessary?" / Nicole Lazzaro.
https://www.dropbox.com/s/p5pwwc1lxt0icp6/Nicole%20Lazzaro%20-%20Are%20Boys%20Games%20Even%20Necessary%3F.pdf?dl=0