Shuriken Produções

Shuriken Produções Primeira multinacional da cultura hip-hop brasileira, Shuriken Produções é um coletivo cultural com atuação no Brasil, Japão e Alemanha.

Este meu texto tem quase 15 anos e, até hoje, pessoas me escrevem contando que ele as ajudou a repensar conceitos. Eis a...
04/08/2024

Este meu texto tem quase 15 anos e, até hoje, pessoas me escrevem contando que ele as ajudou a repensar conceitos. Eis a essência do hip-hop: transformar pessoas!
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NEM TODOS SERÃO MCs

Quando o hip-hop "fisga" um novo adepto, geralmente o processo costuma ser o mesmo: a pessoa (muitas vezes, ainda criança ou adolescente) se impressiona com a manifestação artística que vê ou ouve e deseja fazer o mesmo. F**a fascinada com os traços mágicos de um bom graffiti, os movimentos acrobáticos de algum b.boy ágil, os riscos hábeis de um DJ ou as rimas certeiras e inteligentes de um MC. Tal encanto costuma ser arrebatador!
Daí a querer fazer parte da cultura hip-hop, tudo ocorre de forma rápida. "Entrei pelo seu rádio, tomei, cê nem viu", diria Mano Brown, no caso do rap. E o novo "convertido" pelo hip-hop passa a querer seguir os passos do DJ, MC, b.boy ou grafiteiro que o inspirou. Compra roupas, imita os trejeitos, aprende (ou aperfeiçoa) o "dialeto das ruas", enturma-se com outros adeptos e... continua faltando alguma coisa.
Os que "vencem" no hip-hop não possuem só o dom ou talento, qualidades que, em muitos casos - na minha opinião -, nascem com a pessoa. Acredito que existem os predestinados no hip-hop, pessoas que nasceram para cantar, tocar, dançar ou grafitar, e que não seriam capazes de fazer nenhuma outra coisa tão bem quanto tais expressões artísticas. Alguns raros privilegiados, mais iluminados, nascem com mais de um destes "dons" altamente desenvolvidos.
Mas não é só de talento que brota o hip-hop. Para quaisquer das quatro manifestações mencionadas, é muito importante que o conhecimento (o "quinto elemento") esteja presente. Para tanto, é preciso estudar, adquirir e aperfeiçoar habilidades, buscar segundas e terceiras formas de enxergar e viver a arte, trocar experiências, compartilhar conhecimentos... Esse é o combustível que alimenta o hip-hop e o faz desenvolver-se e evoluir.
Porém, é preciso reconhecer que nem todos no hip-hop serão MCs, DJs, b.boys ou grafiteiros. Nem todos os adeptos terão qualidade para passar pela peneira, cada vez mais rigorosa, de tais manifestações artísticas. E, mesmo numa suposição utópica de que todos tenham talento à altura, nunca haverá espaço suficiente para todos os milhões de jovens brasileiros que sonham em viver do hip-hop, seja cantando ou tocando rap, dançando breaking ou fazendo graffiti.
Com a consolidação da cultura hip-hop, o profissionalismo se faz cada vez mais necessário, em todos os sentidos. E esta nova realidade exige que, além dos agentes artísticos, a cultura de rua também tenha seus próprios profissionais em outras Areas. Infelizmente, poucas pessoas perceberam isso.
O hip-hop brasileiro precisa, também, formar seus próprios engenheiros de som, designers, coreógrafos, cenógrafos, maestros, figurinistas, estilistas e produtores culturais. Precisa de jornalistas, escritores, cineastas, fotógrafos, relações públicas, profissionais de marketing e assessores de imprensa. Acima de tudo, o hip-hop precisa de advogados, administradores de empresas, economistas, professores, pesquisadores, historiadores e até parlamentares, entre inúmeras outras funções.
Para combater o tal "sistema" não é preciso ignorá-lo, mas sim usá-lo a favor dos princípios em que se acredita, ou seja, tomá-lo de assalto - no melhor sentido da palavra, segundo o conceito da verdadeira malandragem (estudar e trabalhar). E, com mais de duas décadas de existência no Brasil, o hip-hop não pode mais se portar como criança ingênua e birrenta, que recusa a mamadeira mas não quer aprender a usar talheres. A maturidade exige profissionalismo e isso se faz com seriedade, qualif**ação, conhecimento de causa e jogo de cintura. Enquanto agir de forma amadora, o hip-hop nunca será levado a sério como sempre desejou.
Alguns agentes do hip-hop já perceberam que nem todos serão MCs, DJs, b.boys ou grafiteiros. Estão atentos à importância de trabalhar o verdadeiro sentido da palavra profissionalismo, sem que, para isso, tenham de vender suas almas, prostituir seus ideais ou jogar no time oposto - como fazem uns poucos pseudo-profissionais do jogo. Outros ainda se alimentam da ilusão de que o mundo só precisa de quatro - e não cinco - elementos para buscar melhorias.
No rap, no breaking ou no graffiti, o conhecimento é o elemento mais importante para que a cultura de rua alcance sua ascensão e o tão desejado reconhecimento/respeito. Nessa ´guerra fria´ do século XXI, "o estudo é o escudo", como bem versou o poeta GOG. Além disso, também é bom frisar que nem todos serão generais. Palavras de mais um soldado...

PAZ a todos/as!!!

Sexta-feira (15), celebraremos os 10 anos desse dia mágico: o lançamento da biografia Nelson Triunfo: Do Sertão ao Hip H...
11/03/2024

Sexta-feira (15), celebraremos os 10 anos desse dia mágico: o lançamento da biografia Nelson Triunfo: Do Sertão ao Hip Hop, realizado NA RUA, que é o berço da cultura hip-hop!

Estamos preparando uma boa surpresa para essa comemoração. Aguarde!

Nelson Triunfo já ganhou documentário. E agora, a biografia sobre o músico e dançarino é lançada no lugar em que tudo começou: na rua.

14/05/2023
Pega a visão do Marcelo Shock!
27/01/2023

Pega a visão do Marcelo Shock!

Provided to YouTube by ONErpmPega a Visão · Marcelo Shock · Marcelo ShockPega a Visão℗ Marcelo ShockReleased on: 2023-01-26Producer: Marcelo ShockAuto-genera...

Já ouviu "Esse som"?Diretamente da Alemanha, eis o peso de Marcelo Shock, senhoras e senhores!
11/11/2022

Já ouviu "Esse som"?
Diretamente da Alemanha, eis o peso de Marcelo Shock, senhoras e senhores!

Provided to YouTube by ONErpmEsse Som · Marcelo Shock · Marcelo ShockEsse Som℗ marceloshockReleased on: 2022-11-11Producer: Marcelo ShockProducer: ZazaOneAut...

Lançamento do dia, diretamente da Alemanha: "Escolhas", de Marcelo Shock!💪🏼👊🏻
21/07/2022

Lançamento do dia, diretamente da Alemanha: "Escolhas", de Marcelo Shock!
💪🏼👊🏻

Provided to YouTube by ONErpmEscolhas · Marcelo Shock · Marcelo ShockEscolhas℗ ShockrapReleased on: 2022-07-20Producer: Rato ReversoRemixer: ZazaOneAuto-gene...

 ASMC a.k.a. Santos Augusto chegou "Mordendo a testa"!• Letra, voz, mixagem e masterização: ASMC• Instrumental:
16/10/2021


ASMC a.k.a. Santos Augusto chegou "Mordendo a testa"!

• Letra, voz, mixagem e masterização: ASMC
• Instrumental:

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DEGUSTAÇÃO: parte do 6º capítulo de "Mamãe não me deixou cantar rap... resolvi escrever", de Gilberto Yoshinaga, lançado...
20/09/2021

DEGUSTAÇÃO: parte do 6º capítulo de "Mamãe não me deixou cantar rap... resolvi escrever", de Gilberto Yoshinaga, lançado em julho deste ano - disponível em https://tinyurl.com/8my8vfch
> O trecho em questão fala sobre a experiência do autor produzindo e apresentando o programa de rap "Som das Ruas", na Rádio Unesp FM (Bauru/SP), entre 1999 e 2001.
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"(...) Quando eu estava no terceiro ou quarto mês à frente do Som das Ruas, cartas endereçadas ao programa começaram a chegar à rádio e eram repassadas para mim. Lembro-me de que a primeira estava escrita em português impecável e educadíssimo, com letra caprichada. Era assinada por um sujeito chamado Robson Augusto, que contava estar “privado de liberdade” naquele momento.

A internet ainda não tinha sido popularizada e eu pouco utilizava a rede, na universidade, em breves e limitados horários. Nem telefone celular eu tinha, o que ainda demoraria três anos para acontecer. E passei a responder a todas as cartas de próprio punho, pois aquele era meu único canal de comunicação com o público do programa. Robson seguiu mandando cartas, pedindo músicas, e foi celebrado pelos colegas detentos quando, em um dos programas, ofereci a ele e seus companheiros de cela a canção “Dia de visita”, do grupo Realidade Cruel, que fala sobre o ambiente carcerário. Com isso, outros detentos se viram estimulados a escrever e mais cartas continuaram a chegar - ao todo, foram umas 100 em 23 meses de programa, nas exatas 100 edições veiculadas entre agosto de 1999 e julho de 2001. À medida do possível, eu mandava os “salves” e executava as músicas que eles pediam.

Outro correspondente assíduo que me marcou foi Alamarques, então ocupante da “cela 80 da P-1", segundo ele mesmo rimava em raps gravados de forma precária e enviados em fitas cassetes junto com as cartas. Toquei essas músicas de sua autoria no Som das Ruas e, quando tive de encerrar o programa para retornar a Mogi das Cruzes, ainda cheguei a lhe enviar uma última carta, já em setembro de 2001, colocando meu novo endereço no campo de remetente - e não mais a caixa postal da Rádio Unesp. Lamentei que o programa tivesse se encerrado, parabenizei-o pelos raps e incentivei-o a continuar acreditando na poesia e na música como possíveis instrumentos para sua reintegração à sociedade. Nunca perguntei qual era sua “bronca” - mas soube que ele tinha mais de década, ainda, de pena a cumprir. Alamarques me respondeu uma última carta, dizendo-se desestimulado por não poder mais contar comigo. Escreveu que eu fui a única pessoa a dar espaço para seus raps e que ele nunca imaginaria que fosse ouvi-los, ainda em confinamento, sendo tocados em um programa de rádio. Mas acrescentou que, a partir daquele momento, sentia-se tentado a desistir, entregava-se à dura realidade de que ainda tinha longo tempo de cadeia para tirar. Uns cinco ou seis anos depois, pesquisando seu nome pela internet, cheguei a um processo criminal em que ele era condenado por grave agressão a outro interno - ou seja, sua pena tinha sido estendida por mais alguns anos. Depois disso, nunca mais soube dele, e rogo para que esteja bem, em paz e com condições de se dedicar ao seu talento musical.

Voltemos ao detento Robson. Depois de eu trocar quase uma dezena de cartas com ele, fui convidado para visitar o Centro de Progressão Penitenciária de Bauru. Robson colocou meu nome e RG em seu rol de visitantes e combinamos um determinado domingo para eu ir até lá. Mas não tive como avisá-lo do surgimento de um compromisso de última hora e só pude ir na semana seguinte, dia em que ele recebia uma rara e muito aguardada visita íntima. Robson acabou providenciando que outro interno, que conheci com o apelido de Cotia, fosse meu cicerone muros adentro.

À parte a precariedade e o propósito daquele ambiente tão pesado e negativo, aquele foi um dos lugares em que me senti mais bem recebido, de forma mais respeitosa, em toda a minha vida. Explica-se: muitos presos passam anos sem receber a visita de diversos amigos e familiares. Só as mães costumam não falhar. Por esse motivo, toda pessoa que se propõe a reservar um domingo para ir ao encontro deles é merecedora de muito respeito naqueles domínios. Fui tratado como autoridade por todos e até pedi para que não arranjassem confusão que pudesse lhes estender a pena a cumprir - quando ouvi que, no dia seguinte, haveria “acerto de contas” porque o almoço estava escasso e tinha sobrado um naco pequeno de frango para mim.

– Mano, não vim aqui pra tirar comida de vocês e aceito, de coração, o que me oferecerem. Não precisam arranjar treta só porque sobrou pouco frango para mim. Tá tranquilo, eu nem esperava almoçar aqui. Peço que deixem isso pra lá - pedi. Eu nunca soube se algum detento foi penalizado, no dia seguinte, pelo desfalque do frango.

Cotia me permitiu entender, também, que nem todo preso possui caráter criminoso por natureza. Seria injusto cobrar discernimento de muitas pessoas criadas em ambientes inóspitos, violentos, sem acesso a nada e sem oportunidades na vida. Se direitos básicos não lhe fossem tolhidos desde a infância, estou certo de que muitos deles não teriam optado por tal caminho. Cotia trabalhava na cozinha do presídio e se orgulhava de ter pego prática com a faca. E uma declaração espontânea dele me fez entender sua condição e discordar totalmente dos reacionários que adoram vomitar a frase feita “Bandido bom é bandido morto”.

– Tem dia em que eu limpo, desosso e retalho mais de 100 frangos rapidinho - contou-me Cotia, orgulhoso. Ele ainda tinha mais alguns anos de grades pela frente e planejava, depois de ganhar a liberdade, montar uma avícola para sustentar sua família de forma honesta. Porém, emendou uma frase que, facilmente, me fez entender que muitas pessoas pobres optam pelo crime porque não querem ver seus familiares passarem necessidades; e que boa parte delas já desistiu completamente de acreditar no mito da meritocracia, nas instituições formais como meios legítimos de alcançar um status social capaz de lhes permitir uma subsistência minimamente digna: – Mas eu sei que, se virar funcionário de uma avícola, nunca vou conseguir montar a minha própria. Por isso, quando sair daqui, ainda vou “fazer” mais um banco, só mais um, pra levantar um dinheiro e poder montar meu negócio. Aí, sim, vou seguir minha vida honestamente, sem precisar pegar em armas de novo."

Também nunca mais soube nada sobre o Cotia. Só espero que ele tenha ganhado a liberdade e conseguido montar sua avícola - de preferência, sem ter feito mais nenhum assalto.

Confiram o bate-papo de Choco7at (Chocolat) no Ponto Podcast - com participação do "bicão" Gilberto Yoshinaga na segunda...
15/08/2021

Confiram o bate-papo de Choco7at (Chocolat) no Ponto Podcast - com participação do "bicão" Gilberto Yoshinaga na segunda metade.

Seja bem vindo ao Ponto Podcast, f**a à vontade aí, e se sinta livre para falar do nosso trampo por aí, inscreva-se, comenta, e da like pra fortalecer o pai....

Hoje (12) faz um mês que este livro foi lançado. Já há quatro comentários positivos na Amazon (clique no link e veja 'Av...
12/08/2021

Hoje (12) faz um mês que este livro foi lançado. Já há quatro comentários positivos na Amazon (clique no link e veja 'Avaliações').
E você aí, já leu? Tá esperando o quê?
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Mais que um conjunto de relatos autobiográficos do autor Gilberto Yoshinaga, incluindo curiosidades e episódios engraçados, esta obra é uma celebração à cultura hip-hop brasileira e um imperativo à reflexão sobre assuntos diversos (e pertinentes).

Compre o eBook Mamãe não me deixou cantar rap... resolvi escrever, de Yoshinaga, Gilberto, na loja eBooks Kindle. Encontre ofertas, os livros mais vendidos e dicas de leitura na Amazon Brasil

Já deram o play hoje?Zap San, álbum "A Importância Disso" - o primeiro trabalho fonográfico lançado pelo coletivo Shurik...
15/07/2021

Já deram o play hoje?

Zap San, álbum "A Importância Disso" - o primeiro trabalho fonográfico lançado pelo coletivo Shuriken Produções!

Zap-San · Album · 2021 · 20 songs.

Endereço

Mogi Das Cruzes, SP

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