30/05/2026
*Onde estás*
No vento frio da noite calada,
a brisa dança pela estrada,
balança a copa das pequenas árvores
como quem conhece antigas saudades.
Da minha vidraça fico a olhar
o mundo inteiro a caminhar,
tão alegre em sua canção,
enquanto choro na solidão.
Lá fora há risos e movimento,
gente vivendo cada momento,
e eu aqui, no mesmo lugar,
aprendendo sozinho a suportar.
Sofro tua doce partida,
ferida funda, mal resolvida,
feito inverno dentro do peito
onde o amor chegou sem jeito.
Sofro tua ausência silenciosa,
tão fria quanto a madrugada chuvosa,
pois teu adeus deixou em mim
um céu cinzento sem ter fim.
E o pior dessa dor sentida,
que vai consumindo a vida,
é amar com tanta verdade
e receber apenas saudade.
Mas talvez o tempo, devagar,
ensine meu peito a se curar,
porque até a noite mais sombria
um dia amanhece em poesia.
Cíntia Cardoso