29/03/2022
Chico Teixeira aos 42 anos e uma longa estrada na música, na qual ingressou influenciado pelo pai, o grande nome da música brasileira Renato Teixeira, marcou a sua estréia como ator no remake da novela Pantanal, da Rede Globo. Chico deve contracenar com Almir Sater (parceiro musical de seu pai) e seu filho Gabriel Sater, todos moradores da Serra da Cantareira. Em 2010 a Revista da Serra fez uma materia com Chico onde ele fala da sua relação com o local. Leia abaixo: (texto e foto de Idario Costa, foto atual de Valeria Zoppello.
RETRO - REVISTA DA SERRA: Materia publicada na edição numero 17 em setembro de 2010
Chico Teixeira - Um filho da Serra da Cantareira
Chico Teixeira, 30 anos, é um filho da Serra da Cantareira. Chegou com quatro anos de idade e não saiu mais, e nem pretende sair. Sua relação com o lugar é intensa, seja pela proximidade com a natureza, seja pela vida social, já que os amigos e familiares também moram na Serra, inclusive seu pai, o cantor e compositor Renato Teixeira. Chico desenvolve carreira solo, é cantor e compositor, além de músico da banda de Renato Teixeira, com quem tem percorrido o Brasil e de quem herdou o gosto musical pela boa música brasileira de influência caipira, mas dentro de um contexto de modernidade. O campo e da cidade mesclam-se naturalmente no seu canto. Ele é uma pessoa muito simples. Durante o tempo que conversamos à beira do lago que f**a no fundo de sua casa, demonstrou a tranqüilidade de um interiorano, de fala mansa e pausada e segurando um cigarro de palha apagado. Falou da infância vivida na Serra da Cantareira, onde passou boa parte do seu tempo ocioso, caminhando, andando de bicicleta ou jogando bola com os amigos. Disse que, quando era criança, pensava em ser jogador de futebol e chegou a jogar em uma equipe local, como atacante, era o artilheiro do time, mas, como sempre conviveu em casa rodeado de músicos, a mãe uma pianista clássica e o pai, Renato Teixeira, um ícone da música brasileira, ficou difícil se afastar deste caminho. Chico quando criança não tinha muita noção da dimensão do trabalho do pai. Na adolescência passou a acompanhá- lo, mais como holding, ajudando na produção dos shows. A vocação para a música vinha do berço, mas também fez aulas de violão com Luis de Bragança e depois com Xys, professores moradores da Cantareira – e na adolescência resolveu montar uma banda de rock com amigos, onde tocava guitarra. Até aí tudo normal, seguia um rito próprio de um adolescente. Antes de completar 18 anos, Chico Teixeira passou a integrar a banda de Renato Teixeira, como violonista e aí despertou seu talento pelo tipo de música que seu pai executava. Foi assim que passou e escrever canções e a cantar suas composições. Em 2002 lançou seu primeiro trabalho, produzido por ele mesmo. Com a banda de Renato Teixeira, viaja pelo Brasil, apresentando-se em palcos consagrados como Palácio das Artes - MG, Canecão – RJ, Auditório do Ibirapuera – SP. O artista diz que sua música tem fortes influências do violão folk, da viola caipira e da poesia. Suas composições falam da realidade de seu tempo. Chico já tem composições suas gravadas por Zé Geraldo e pelo próprio pai. Em 2009 gravou a música “O Contador de Causo”, de Marcelo Barbosa, Bozo Barreti e Zé Rodrix, para a trilha sonora da novela Paraíso – da Rede Globo. Agora para o ano de 2010, o músico prepara novo trabalho solo. Sempre que instado a falar da Serra da Cantareira ele demonstra sua paixão pelo lugar. Sabe que a Serra tem muitos problemas, mas tem muita coisa boa também, como a beleza natural e o bem-estar. As pessoas que escolheram a Serra para morar, o fizeram por um ideal na busca da tranqüilidade e da natureza. O que ele aponta como coisas negativas são o lixo jogado a esmo e a poluição dos lagos e rios. - “Estamos na maior floresta urbana do planeta, os moradores deveriam dar o exemplo, reciclando o lixo e cuidando melhor do local, nos temos que dar o exemplo. Aqui também poderia ser instalada uma universidade com cursos voltados às questões ambientais”, diz. Já no final da entrevista, quase escurecendo e o friozinho típico tomando conta do ambiente, nos despedimos. Foi então que ele resolveu acender aquele cigarrinho de palha.