Loyola Christo

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04/04/2020
28/03/2020

Suicídio - Rudimar Loyola Christo (2003)

Nada havia à sua volta
Sorrisos, esperança
Flores desabrochadas,
Perfumes.
Apenas sombras
Habitavam seu mundo
Sentimentos defasados,
Já talhados
Jaziam na profundidade do abismo,
Que se tornou o seu coração.
Havia apenas solidão,
Espelhos estilhaçados
Pratos vazios,
Fogões apagados
O alimento guardado,
Ná tábua da escassez.
Nada havia à sua volta,
Além do desalento
Da sordidez,
Do choro angustiado
Trancado,
Pelo estio de lágrimas.
Só havia um espaço vazio,
Que a janela
Agora escancarada,
Lhe oferecia generosamente perscrutar.
Nada havia pra se lamentar,
Riquezas escondidas
Velas acesas,
Promessas rejeitadas.
Desculpas não aceitas,
Filhos bastardos.
Só a incerteza da dor,
Se mantinha inerte
E o medo,
De se ver derramado,
Na fronha da calçada
Qual chuva repentina.
Tempestuosa é a vida!
De tantas amarras frágeis,
Onde o teor desta ansiedade,
É provisório.
Termina isso tudo,
Quando se aspira
A agressão do ar,
Então desaba a alma
Verte a dúvida,
Desemboca junto,
Arrependida.
Aí já foi,
Vencida a vida
Tão qual o ar
Por fim,
Prematuramente perdida.

A lente renitenteQue encobria teus olhos,Que via, mas não percebiaQue outros olhos e olhares,Que somente fixavam-se na l...
28/03/2020

A lente renitente
Que encobria teus olhos,
Que via, mas não percebia
Que outros olhos e olhares,
Que somente fixavam-se na lousa fria,
Riscada à frente.
Apenas uma busca transcendia
Pelo óbvio da matéria,
Que ao nosso pobre entendimento,
Ousadamente aturdia.
E teus olhos
Que eu não traduzi a cor,
Procurava e se cansava
Pelo teor quase fatal do texto à frente,
Que não só eu apenas não entendia.
Então as horas se dissipavam,
Números e letras pareciam dançar,
Ao som do canto que o giz,
Entoava ao riscar a lousa.
A boca fechada rangia as frases,
A dúvida vertia as palavras.
E toda a minha atenção permanecia,
Na lente renitente,
Que encobria teus olhos.
E tua boca em silêncio,
Guardava em segredo seu nome,
Que apenas eu ,
Ainda não sabia.

Apresentação - Rudimar Loyola Christo (2004)

28/03/2020

Olhai os jardins
Como a paz flui entre as rosas, crisântemos, cravos e jasmins.
Os lírios e o amor-do-campo, que entre as margaridas sorri em acalanto.
Assim será em todo lar,
Em que haver sorrisos,
Respeito e consideração.
Onde haver perdão
O desejo de partilhar,
O entendimento antes da ofensa,
O olhar fraterno, a mão estendida em socorro.
Olhai então os céus,
O seu manto negro todo estrelado.
Planetas, e astros, todos unidos.
Uns amarelos, alguns sem cor definida,
Mas todos seguindo com respeito a lei da física.
Tolerantes uns aos outros,
Em órbitas repletas de luz,
De silêncio, mistério e amor.
Assim poderá ser o nosso lar,
Se dentro dele houver ternura, paz e concórdia.
E lá fora, além do nosso jardim,
Deixar todo rancor!

O Jardim estelar - Rudimar Loyola Christo (2003)

Endereço

Magé, RJ

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