07/07/2023
Um cometa que marcou este tempo terreno, um movimento teatral, o grande maestro das contracorrentes do mar, aquele que marcou o espaço e se fez tela viva, como as grandes passagens literárias, uma pintura movida a fogo, a ferro, a teatro. Esse é José Celso Martinez Corrêa, o querido e amado Zé Celso, que se transformou em fênix e foi fazer morada dentro de uma estrela.
Hoje, nós do Teatro da Poesia, dedicamos este espaço em que nos é ofertado todos os dias, debaixo e em cima do tablado sagrado, para homenagear essa grande revolução das artes cênicas brasileiras. Com seu jeito singular e estratosférico, Zé Celso enfrentou a ditadura e os tempos sombrios da necropolítica com o mínimo extraordinário que ele tinha em mãos: o teatro.
Como companhia, fomos moldados por seus ensinamentos, teorias, dizeres e não-dizeres, por seu corpo que gritava liberdade, e que se estremecia a cada vértebra pulsante do chão do Teatro Oficina Uzyna. Antropofágico, metamorfo, longevo, dramaturgo de feras e paixões, a vírgula do começo de um parágrafo, o ponto fora da curva, a própria curva que se fez entidade, se mostra agora em uma cena junto a dioniso.
É, Zé Celso... Os seres e as coisas se entredevoram. Todo esse tempo ele estava certo. E é exatamente por isso que era tão única a arte que Zé Celso expressava, porque ele conseguia destruir-se destruindo os moldes já cartesianos e enfileirados para construir em si, sob o suor, a valentia, a lágrima e o sangue, um terceiro corpo volúvel e ensadecido por mudanças sociais e culturais em nosso país.
Zé Celso é o próprio movimento!
Evoé!