16/05/2026
PORQUE AMADEU LOBATO E SEU LEGADO PRECISAM SER RESPEITADOS?
O Coletivo de Artistas, Produtores e Técnicos em Teatro do Estado do Amapá – CAPTTA, a Federação Amapaense de Teatro – FATE e a Federação Amapaense de Teatro Amador – FATA, vêm a público, com a alma ainda ferida pela partida deste que foi um dos maiores gigantes das artes cênicas da Amazônia, manifestar veemente repúdio às tentativas de descredibilização da memória, da trajetória e da honra de AMADEU LOBATO.
Amadeu não foi apenas um artista. Foi um território, ainda com imensa extensão as ser explorado! Um palco/ tablado/ rua onde gerações aprenderam a pisar, a cair, a levantar e a existir pela arte. Em tempos nos quais o Estado do Amapá sequer sonhava com um curso superior de Licenciatura em Teatro, ele já era escola! Inteira, gratuita, generosa e rigorosa. Formou corpos, libertou vozes, plantou afetos. Sua obra mais longeva, “Uma Cruz para Jesus”, resiste há mais de quatro décadas, ano após ano, ao lado da Fortaleza de São José, como um ritual de fé e resistência cultural. Não é apenas um espetáculo: é um patrimônio vivo do povo amapaense.
Sua atuação transbordou o palco. Esteve no audiovisual, na música, na gestão, na luta cotidiana pela existência do fazer teatral em terras amapaenses. Foi professor, chefe operacional e gestor do Teatro das Bacabeiras, a mesma casa que carrega hoje a polêmica: “agregar ou não o nome de Amadeu Lobato”. Mas o que era para ser um gesto de reconhecimento, um abraço eterno da comunidade teatral a um de seus maiores guerreiros, transformou-se, por vozes desinformadas ou mal-intencionadas, em palco de ataques à sua memória.
A esta gente, perguntamos: quantos de vocês lutaram ao lado de Amadeu quando o Teatro das Bacabeiras quase foi transformado em catedral? Quantos sujaram as mãos com a tinta dos cartazes, suaram os figurinos, madrugaram na montagem de luz e sombra para que a arte não morresse? Amadeu esteve lá! Em cada trincheira. Em cada grito sufocado pelo descaso. Em cada cortina que teimava em abrir-se mesmo diante do silêncio das autoridades.
Sua partida não foi apenas uma perda. Foi uma consternação. Uma fenda na cena cultural do Amapá. E tentar manchar sua história agora, quando sua obra é objeto de pesquisa por novas e velhas gerações, quando sua pedagogia continua viva em cada ator que o teve como mestre, isso não é ignorância: é ingratidão com os seus, com os que se doam à luta!
Caso o projeto de lei que acrescenta seu nome ao Teatro das Bacabeiras seja sancionado, não se trata de favor. Mas de dívida. Uma dívida que a arte amapaense tem com aquele que nunca pediu holofotes, mas que merece, sim, que seu nome brilhe no frontispício da casa que ele ajudou a construir, a proteger e a manter de pé.
Exigimos respeito à memória de Amadeu Lobato. Exigimos respeito à sua família, que vê sua dor transformada em espetáculo de descrédito.
Exigimos que o poder público e a sociedade amapaenses honrem a trajetória de um homem que se doou integralmente, sem meias medidas, sem vaidades rasteiras, às artes deste estado. Amadeu não precisa de homenagem para ser eterno. Que seu nome esteja para sempre na memória coletiva da sociedade amapaense! E que sua cruz, plantada há mais de 40 anos ao lado da fortaleza, continue sendo carregada por todos nós, não como fardo, mas como bandeira. Não por vaidade, mas por justiça histórica!
Amadeu Lobato presente! Agora e sempre!
Com dor, mas com a cabeça erguida!
COLETIVO DE ARTISTAS, PRODUTORES E TÉCNICOS EM TEATRO DO ESTADO DO AMAPÁ – CAPTTA
FEDERAÇÃO AMAPAENSE DE TEATRO – FATE
FEDERAÇÃO AMAPAENSE DE TEATRO AMADOR – FATA