18/08/2024
VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO: A CRENÇA NA ARTE MANIFESTADA NA PERFORMANCE DE LARI ALVANHAN E RAQUEL PALMA
O espetáculo "Bipolaridade: (des) caminhos para
corpas errantes” é uma “coisa” híbrida, potente em termos de linguagem, experiência e depoimento. De imediato, as artistas se propuseram a desmistificar os aspectos sociais e discriminatórios da bipolaridade. Tema profundo, necessário e atual. Nos dias 2, 3 e 10 de agosto, o trabalho foi realizado na Divisão de Artes Cênicas da UEL, espaço cada vez mais democrático, acolhedor e, principalmente, onde as, os e es artistas(es) se sentem seguros para agir no mundo. Nesta agenda, o espaço da Universidade se declara em sua mais razoável função: o conhecimento - o aprofundamento da experiência; a oportunidade de sair do senso comum.
A plateia, sempre lotada, era repleta de pessoas de olhos desconfiados, curiosos, a até mesmo profissionais. Artistas, profissionais da psicologia e da psiquiatria, bem como pessoas que possuem diagnósticos estiveram presentes, ávidos pela representatividade do tema. Mas o que se viu superou toda e qualquer expectativa do status quo, ou mesmo de quem esperava um derramamento de emoções. Quem lá esteve presenciou uma obra estética e poética, cheia de contornos éticos e pautada num posicionamento político. Nada mais necessário!
Cena claustrofóbica
De um lado da cena Raquel Palma desconstrói com sua voz de cantora competentíssima (em um megafone desafinado) um conjunto de possíveis diagnósticos e medicações, relatando com imprecisão e falhas sonoras, noites e noites de insônia, que se transformam em angústia de ver passar o tempo – segundo a segundo. Na outra ponta, sob a fumaça de um constante Cigarro Lari Alvanhan caminha em círculos, infinitamente; as tropeçar em garrafas vazias. Trata-se de um caos mental que, após manifestado, extrapola para a cena e atinge em cheio a sensibilidade da plateia. Perdides, engolindo saliva e querendo fugir, todes ficaram: _ nenhuma pessoa saiu, mesmo havendo o prévio anúncio de acolhimento externo caso alguém tivesse algum desconforto.
Ora, sair da zona de conforto é a própria senha da performance; quem quiser se divertir terá que procurar outra linguagem,