26/02/2021
A Escola Nacional de Circo do Brasil - ENC corre perigo e precisa da sua ajuda! Assine a carta-manifesto da classe artística em defesa da ECN https://kangen.cc/enclofica/
Em comunicado oficial o presidente da Funarte, Lamartine Barbosa Holanda informou aos servidores da imediata transferência das ocupações desta fundação para as instalações da Escola e que, na volta às aulas, os alunos serão transferidos para um espaço não informado, mas ainda em negociação.
Nós da Escola De Circo De Londrina , da Associação Londrinense de Circo, integrantes da Rede Circo do Mundo Brasil , endossamos a solicitação ao Presidente da Funarte que assuma um compromisso público para:
# Manter a ENCLO nas instalações da Praça da Bandeira;
# Preservar a integridade das instalações da ENCLO na sua função original;
# Apresentar plano e protocolo de cuidado em saúde no contexto da pandemia global do novo coronavírus, que garanta a continuidade das atividades de formação;
# Garantir o caráter público, gratuito e de qualidade da ENCLO evitando qualquer contrato com setor privado para o desenvolvimento das suas atividades;
# Garantir a continuidade dos programas de fomento à formação e à pesquisa artística por meio do programa de bolsas;
# Convocar uma comissão de profissionais de reconhecido gabarito para elaboração de um diagnóstico participativo para uma reformulação político-pedagógica do currículo da ENCLO.
Saiba o que está acontecendo ...
Desde março de 2020 as aulas da ENCLO foram suspensas devido à pandemia. Em junho do mesmo ano, o diretor da Escola, Carlos Viana, foi exonerado e, desde então, nenhuma explicação foi dada, nem aos alunos, nem à comunidade artística, nem tampouco à sociedade. Nenhuma medida foi tomada ou sequer proposta para enfrentar a necessidade de continuidade da formação das/os/es estudantes. Nenhum plano foi apresentado e, em dezembro deste ano, a lona de circo foi retirada.
Vale destacar outros fatores que também provocam nossa indignação: Não está sendo permitida a entrada de professores e alunos às instalações da ENCLO e, para agravar mais ainda a situação dos alunos bolsistas, cujo contrato exige dedicação exclusiva à sua formação, o repasse dessas bolsas está atrasado. É importante salientar que o corpo discente da ENCLO é composto por jovens das mais diversas regiões do país e da nossa América, cuja estadia na cidade do Rio de Janeiro é da responsabilidade da Funarte.
A sequência de atos e decisões da Funarte aqui apresentada parece configurar-se como uma desconstrução programada de um compromisso assumido pelo executivo federal desde 13.05.1982, de preservação de um dos maiores patrimônios do Circo latino-americano, independentemente das diferentes gestões.
A Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha (ENCLO) foi fundada em 1982. Durante seus 38 anos de existência, formou aproximadamente 2500 profissionais, tendo destacado papel no incentivo à cultura. Desde 2015 é responsável, em parceria com o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), pela organização do Curso Técnico em Arte Circense, formação validada pelo MEC e amplamente reconhecida em âmbito nacional e internacional.
A ENCLO se constitui em um espaço especialmente concebido, na sua arquitetura e equipamentos, para o desenvolvimento da formação circense, na sua pluralidade e diversidade. Assim, as salas de ginástica, a grande lona e seu picadeiro, o grande galpão central, a estrutura de aço reforçada para suportar o peso de vários artistas suspensos simultaneamente, as ancoragens que permitem erguer equipamentos e garantir a segurança dos artistas-em-formação, significaram um investimento milionário para o erário público que, na época da sua construção, representou ainda grande sacrifício para as gerações de formandos. Desta forma, dificilmente o desvio da sua função para abrigar escritórios voltados ao trabalho burocrático da fundação poderia significar uma economia, a não ser sob uma ótica imediatista e limitada, que é preciso superar, e que desejamos questionar.
Hoje, a ENCLO e os Artistas Egressos dela são responsáveis por uma importante contribuição para desenvolvimento das cadeias produtivas da economia da cultura, por meio de coletivos artísticos, companhias, estudos acadêmicos, intercâmbios nacionais e internacionais, construção de novas linguagens artísticas, garantindo a continuidade da herança cultural circense. Tem também importante função social, oferecendo formação profissional de qualidade: são inúmeros os casos de profissionais que viviam em situação de fragilidade social antes de passar por sua formação e hoje, não só ascenderam socialmente, quanto são responsáveis pela geração de empregos diretos e indiretos ligados às artes.
Considerando o contexto até aqui apresentado, convocamos a sociedade brasileira e, em particular, a classe artística, a não escamotear esforços pela viabilização de um diálogo com as autoridades responsáveis em prol da preservação e fortalecimento do patrimônio material e imaterial do Circo Brasileiro que representa a Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha.
(texto extraído da carta-manifesto)