30/04/2018
O DIA NACIONAL DA MULHER E UMA LEOPOLDINENSE
Jerônima Mesquita, nasceu em Leopoldina, Minas Gerais, no dia 30 de abril de 1880, na Fazenda Paraíso. Teve quatro irmãos, Francisca de Paula Lynch, Jerônimo Mesquita, Maria José e Antônio José de Mesquita e Bonfim.
Tinha fama de ser uma mulher justa e de tratar bem seus escravos, que tinham inclusive aulas de música, para as quais foi construída uma sala de música. Os escravos tinha sua própria orquestra, que tocava durante os jantares.
Jerônima era a mais velha de cinco irmãos. A família passava seis meses na fazenda Paraíso, em Leopoldina, e seis meses na cidade do Rio de Janeiro. Jerônima e seus irmãos fizeram os primeiros estudos com tutores, que o pai mandava vir do Rio de Janeiro ou de outros centros urbanos.
Quando mais velhos, foram estudar em colégios europeus.
Jerônima fez os estudos secundários na França. Lá ela pôde presenciar a luta das mulheres pela igualdade. Aos 17 anos casou-se, por imposição da família, com um primo, com quem teve um filho. O casamento não foi bem sucedido ela separou-se do marido dois anos depois e nunca mais se casou.
Quando eclodiu a I Guerra Mundial, Jerônima ingressou como voluntária da Cruz Vermelha de Paris e depois serviu à Cruz Vermelha Suíça. Bertha Lutz (amiga de Jerônima)
Ao retornar ao Brasil tornou-se uma ativista na luta dos direitos da mulher, juntamente com as amigas Stela Guerra Duval[5] e Bertha Lutz , que conheceu na França. Foi uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) em 1922. A Baronesa Maria José Vilas Boas de Siqueira Mesquita ajudou a filha em diversas ocasiões, comparecendo sempre aos eventos organizados pela FBPF ou recepcionando celebridades convidadas pela Federação a integrar os congressos feministas realizados no Rio de Janeiro (1922, 1931 e 1936).
Jerônima foi uma das pioneiras na luta pelo direito ao voto feminino, atuando no movimento sufragista de 1932. Com Bertha Lutz e Maria Eugênia, em 14 de agosto de 1934, lançaram um manifesto à nação, chamado de Manifesto feminista:
As mulheres, assim como os homens, nascem membros livres e independentes da espécie humana, dotados de faculdades equivalentes e igualmente chamados a exercer, sem peias, os seus direitos e deveres individuais, os sexos são interdependentes e devem, um ao outro, a sua cooperação. A supressão dos direitos de um acarretará, inevitavelmente, prejuízos pra o outro, e, conseqüentemente, pra a Nação. Em todos os países e tempos, as leis, preconceitos e costumes tendentes a restringir a mulher, a limitar a sua instrução, a entravar o desenvolvimento das suas aptidões naturais, a subordinar sua individualidade ao juízo de uma personalidade alheia, foram baseados em teorias falsas, produzindo, na vida moderna, intenso desequilíbrio social; a autonomia constitui o direito fundamental de todo individuo adulto; a recusa desse direito à mulher é uma injustiça social, legal e econômica que repercute desfavoravelmente na vida da coletividade, retardando o progresso geral; as noções que obrigam ao pagamento de impostos e à obediência à lei os cidadãos do sexo feminino sem lhes conceder, como aos do sexo masculino, o direito de intervir na elaboração dessas leis e votação desses impostos, exercem uma tirania incompatível com os governos baseados na justiça; sendo o voto o único meio legítimo de defender aqueles direitos, a vida e a liberdade proclamados inalienáveis pela Declaração da Independência das Democracias Americanas e hoje reconhecidas por todas as nações civilizadas da Terra, à mulher assiste o direito ao título de eleitor.
Juntamente com um grupo de companheiras e fundou o Conselho Nacional das Mulheres, em 1947, no Rio de Janeiro. O Conselho Nacional de Mulheres do Brasil (CNMB) é uma organização cultural, não governamental, que tem por objetivo em defesa da condição da mulher.
Entre as conquistas da entidade estão o direito ao voto, as fundações da Pró-Mater, hospital beneficente para acolher gestantes pobres, e da Associação Cruz Verde, que lutou contra a fome, a febre amarela e a varíola no início do século 20. A Lei 6.791/80, que criou o Dia Nacional da Mulher, no entanto, só foi sancionada pelo último presidente militar, João Batista Figueiredo.
A data havia sido aprovada no Congresso Nacional após a mobilização de 300 mulheres, em 1972, que consideravam oportuno ter mais uma data, além do Dia Internacional da Mulher.
De família rica, dedicou sua vida a ajudar mulheres que tinham muito menos que ela. Andou entre doentes e ajudou a aplacar a dor dos feridos durante a I Guerra Mundial. Buscou justiça através da igualdade de homens e mulheres perante a lei. Sua luta e de suas companheiras, como Bertha Lutz possibilitaram que muitos avanços sociais e políticos fossem conquistados pelas mulheres no Brasil.
Depois de tantas décadas de luta pelos direitos da mulher e contra a injustiça, a leopoldinense Jerônima Mesquita faleceu na cidade do Rio de Janeiro, onde morava, em 1972.
Quando foi finamente aprovada a lei que instituía o dia Nacional de Mulher, ficou decidido que este dia seria 30 de abril, data de seu nascimento.