18/08/2022
O Primeiro CTG nasceu em torno de um fogo de galpão, exclusivamente com a presença masculina, e assim se multiplicaria e haveriam muitos sem a presença da Prenda, e essas jamais teriam chance de cultuar nossas tradições.
Porém, surge as danças tradicionais e dessa maneira, naquele momento a necessidade da presença da mulher, com sua graça e alegria nas invernadas artísticas.
No ano de 1949, o 35 CTG, o Clube Farrapos e a Brigada Militar, se reúnem para organizar uma representação brasileira para participar do Dia do Tradição em Montevidéu-ROU.
F**a acertado que o grupo seria composto por Barbosa Lessa, Paixão Cortes, um declamador, um gaiteiro, um trovador e três ginetes.
Em Março, com o grupo reunido viajam para a capital Uruguaia, onde participam de vários eventos nas chamadas Sociedades Criollas, ficando todos encantados com a riqueza das danças do folclore Argentino e Uruguaio. Em contrapartida, retornam ao Brasil decepcionados com a nossa pobreza com temas musicais e coreografias, ficando restritos aos xotes e vaneras em alguns bailes de rancherio.
Em 1950, Porto Alegre seria cenário da III Semana Nacional de Folclore, promovido pela UNESCO. Diante desse fato, o mestre Dante Laytano com objetivo de incentivar a nossa cultura, convida o 35 CTG, para apresentar com um sarau tradicionalista no palco do Instituto de Belas Artes.
Barbosa Lessa: "Ás pressas encomendamos vestidos de chita para nossas irmãs e primas, tentamos reconstruir uma "media-caña" assistida em Montevidéu, e na noite da festa, apresentamos ao publico, pela primeira vez, pedaços de coreografias que havíamos farejado aqui e ali: o Caranguejo e o Pezinho."
Descobre-se naquela noite a força comunicativa da dança popular, criando assim um dilema para Barbosa Lessa e Paixão Côrtes: Ou voltavam para Montevidéu e aprendiam as danças utilizadas pelos irmãos uruguaios ou arregaçavam as mangas e revirariam o Rio Grande do Sul na tentativa de resgatar uma herança perdida.
Optando pela segunda, após dois anos de pesquisa, encerram um trabalho preliminar. Foram reconstituídas passos com a ajuda de gaúchos e prendas do 35 CTG e melodias foram repassadas para gaiteiros. Após isso surge a necessidade da divulgação de todo o trabalho.
Barbosa Lessa, transfere sua residencia para São Paulo, lá consegue editar as partituras, pela Industria especializada Irmãos Vitale S.A. e depois a gravação de um LP, pela cantora Inezita Barroso e finalmente o lançamento de um livro ensinando as evoluções coreografias.
A partir desse momento, a divulgação tornou-se facilitada, atingindo dezenas de rádios, CTGs, e os primeiros grupos profissionais da área, Tropeiros da Tradição e o Conjunto de Folclore Internacional Os Gaúchos. E dessa maneira difundiu-se as danças tradicionais.
Fonte de Consulta: Nativismo, um fenômeno social; Barbosa Lessa.
Paulo Mena Pesquisador
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