O projeto para o ambiente de arte Hiato inicia-se pela inserção de um objeto arquitetônico em um conjunto descaracterizado de vilas operarias, respeitando as relações espaciais do entorno através da preservação do alinhamento das fachadas e da altura dos objetos vizinhos.. Tal inserção não impede a criação de um objeto que se apresenta como um elemento de impacto, reconhecendo seu compromisso com
a contemporaneidade, conforme apontaria o italiano Camillo Boito. Neste sentido, a lacuna aberta neste contexto urbano, caracterizando o hiato, é ocupada por uma caixa imaterial acessada por uma generosa abertura, que demarca o ingresso em uma nova realidade espacial, destinada à apreensão da arte em suas mais diversas materializações. A definição deste espaço de exposição e criação de arte nos remete à temas que permeiam a história da arquitetura do século XX, como a ascensão dos espaços expositivos – levando o teórico espanhol Josep M. Montaner a aponta-los como as catedrais de nossa era – e o surgimento dos espaços multiusos destinados à arte, como os lofts americanos encabeçados pelo artista plástico americano Robert Rauschenberg, iniciando, durante a década de 60, a ocupação de áreas degradadas para moradia e atelier. Tais espaços já denunciavam as temáticas e os desafios encontrados nos espaços destinados à criação e a exposição de arte contemporânea como a neutralidade e a diversidade espacial, associada à flexibilidade, para abrigar as novas formas de manifestação artística de um período caracterizado pela diversidade. A busca pelo entendimento destes temas foi associada á influência das galerias surgidas na área do Soho em Nova Iorque, desenvolvidas por arquitetos como o holandês Rem Koolhaas e o norte americano Richard Gluckman, que demonstraram em sua abordagem projetual o potencial destes espaços expositivos, inseridos em áreas reduzidas em meio à densidade urbana.