Chuvas e Luas

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25/04/2023
08/02/2023

Condomínio dos Guaxos.

Não sei quando eles escolheram o local.
Nem se era o melhor,
Principalmente se formos falar em segurança.
E nem sei se a vizinhança percebeu o que acontecia
Ou se o poder público autorizou ou mesmo se teria competência para tal.
Sei que eles foram chegando e iniciaram a construção.
Hoje usam o portal, no inicio da Av. Humberto Mauro
Como entrada do condomínio
Que aumenta a cada ano.

20/05/2020

Indo ao fim.

Que horas são? Que dia é hoje?
Estendo a mão e busco o celular na mesinha ao lado.
M***a, tá sem bateria, cadê o controle? Vou ligar a TV e ver.
O controle remoto está na mesinha do outro lado da cama, do lado da Ana.
Já deve ser mais de oito, a Ana já saiu, melhor me levantar.
Viro o corpo e sinto uma estranha sensação, levo a mão à altura do joelho direito.
Ai!
Desço a mão mais um pouco e a perna não está lá.
P**a que pariu. Essa diabete vai me comendo aos pouco. Começou no dedinho do pé, e eu ainda brincava que ele só serve mesmo para dar topada, agora, na terceira amputação, já me leva um pouco abaixo do joelho. Só mesmo bebendo. Aliás não é isso mesmo que venho fazendo quase diariamente já a alguns anos? Principalmente depois que essa m***a da diabetes, junto com a bebida me levou à aposentadoria. O certo é que a ideia era aposentar, receber do INSS e continuar trabalhando com a tornearia. No início até que deu certo, as pingas eram só no fim do dia e o ritmo de trabalho acelerado não dava espaço a mais nada, depois começa a diabetes. Uma preguiça, uma canseira, as pingas, os prazos atrasando, o serviço diminui, mais tempo para a bebida, vem a primeira amputação, já aposentado, o prédio terminado e acabo por arrendar a tornearia. Ai é que não deu certo mesmo, aquele malandro do Adilson não deu conta, perdeu meus fregueses todos, me deu tombo em dois meses de aluguel e agora tai, as máquinas todas paradas já a dois ou três anos, todo mundo me aporrinhando para vender tudo, p***a sô tem máquina que ta comigo desde meados do anos 80, eu era ainda empregado, ta comigo mesmo a mais tempo que a Ana.
Estou perdido, divagando, não é isso, já não sei o que importa, se for olhar para traz e procurar o que ta errado vou chegar no nome.
Waldemar, ninguém chama Waldemar. Conhecem algum Waldemar? Não me deixaram nem por o nome no menino quando ele nasceu. A Ana, as irmãs dela até mesmo a minha mãe achou ruim. Nem que fosse para só chamar de Junior, vieram logo reclamar.
Waldemar ! Isso não é nome de colocar no menino. Ninguém chama Waldemar hoje em dia.
Eu chamo mãe, Você mesmo que escolheu.
Ah! Meu filho, naquele tempo, hoje não. Nome é assim mesmo às vezes saem de moda, somem, ás vezes voltam. Tem tanto nome bonito, Miguel, Gabriel, Lucas. Olha tem Pedro, Antônio, Joaquim estes até estão sendo usados de novo.
O menino acabou chamando Lucas, na turma da faculdade tem uns 5 Lucas, nenhum Rubens,
Nenhum Waldir, nenhum Januário, Waldemar então.
M***a, tô eu aqui, sentado nessa cama sem a metade da perna direita, divagando, divagando. Melhor me levantar, descer e seguir para o bar do outro lado da rua, lá além de tomar umas pingas, ouço o barulho da rua, discuto o futebol, que nem sei quem jogou, e ainda da para olhar as bundas que passam. P***a, não consigo nem ficar de pé, não tem uma muleta aqui, nem um bengala.
Escorando nas paredes, de parede em parede ou nos móveis consigo chegar até ao banheiro, mijo, escovo os dentes, ajeito os cabelos que a cada dia estão mais ralos e os pouco que restam teimam em não ficarem penteados se não os molho. Volto ao quarto, descanso um pouco sentado na cama, troco o pijama, consegui achar uma bermuda e uma camisa no armário e agora só falta o pé esquerdo de um chinelo qualquer. Não tenho nem um tostão nos bolsos e nem tenho idéia de onde anda a minha carteira
Afinal que dia é hoje ?, que horas são? Quanto tempo fiquei naquela droga de hospital? E de mais a mais no boteco ai em frente posso deixar a despesa pendurada.
Saio do quarto, ainda bem que a chave está na porta, como sempre ficou desde que mudamos para cá. Então saio. Escorando nas paredes fecho a porta, mal a porta faz barulho e a porta do apartamento em frente se abre.
Meu filho, onde você vai? O que é que você está fazendo?
Me esqueci de minha mãe no apartamento ai em frente. Eu que tanto insisti e até me lembro de brigar com a minha irmã quando construí o prédio, com a oficina embaixo e os dois apartamentos. O meu um pouco maior, mas o da minha mãe com três quartos, uma suíte, sala, copa, cozinha, possibilidade de duas vagas na garagem, acesso ao terraço e à churrasqueira. To divagando de novo.
OH mãe, não amola, vou só ali embaixo e daqui a pouco volto, não tem ninguém ai mesmo.
Meu filho, você nem esta conseguindo andar, saiu ontem a tarde do hospital.
Mãe, não enche.
A resposta já saiu gritada e ouvi a porta fechando atrás de mim, mas ainda pude ouvir os soluços e quase mesmo ver as primeiras lágrimas.
P***a, a escada. Eu devia ter colocado elevador nessa m***a. O jeito é meter a bunda no chão e descer degrau por degrau sentado ou acabo rolando lá embaixo.

Poema do meu Livro Chuvas e Luas
26/10/2017

Poema do meu Livro Chuvas e Luas

09/10/2017

Esse é meu novo livro. Quem quiser adquir pode fazer pelo email [email protected] que eu envio pelo correio.

Capa do meu novo livro. Daqui a pouco mais detalhes e dados para quem quiser adquirir.
07/10/2017

Capa do meu novo livro. Daqui a pouco mais detalhes e dados para quem quiser adquirir.

Endereço

Juiz De Fora, MG
36000-000

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