09/03/2022
: A sociedade do Instantâneo
A mais recente mutação do sistema capitalista se apresenta como sendo também talvez a mais radical. A virtualização das relações – afetivas, intelectuais e de trabalho – na pós-modernidade inaugura um lugar de emergência que se instala em todas as instâncias da sociedade.
Na Era da informação, a sociedade tecnológica condiciona produtividade a velocidade, tornando-se assim a sociedade do instantâneo. Impera a ilusão de que nossas conclusões e pautas podem ser resolvidas em um clique, e de que conectividade significa proximidade com o coletivo. Tornamos a tecnologia – que deveria ser um degrau e ferramenta para a evolução humana – no próprio tecido de nossas relações. Fizemos do meio o (nosso) próprio fim.
Esse “lugar de emergência” é característica primeira da pós-modernidade, e tem consequências que vão além da superficialidade, porque acompanha a definição de “sociedade do cansaço”, que vive a lógica segundo a qual os indivíduos se autoexploram diante de uma ideia ilusória e liberal de meritocracia.
O próprio capitalismo superou o que o filósofo coreano Byung Chul Han chama de “sociedade disciplinar” – na qual a produtividade era explorada de fora para dentro – e instaurou a sociedade do cansaço, na qual os tentáculos do sistema já captaram o indivíduo com tamanha força a ponto de convencê-lo que ter sucesso e felicidade e explorar até a última gota de sua própria produtividade e criatividade, na desumana velocidade impressa pelos algoritmos.
O que o “motor do digital” tem a nos proporcionar em termos de mobilização política vai, entretanto, muito além da hipervelocidade da sociedade do cansaço. Honrando nosso compromisso coletivo e compondo espaços como a REDE EDUCOM BAHIA, somos capazes de, juntos, reconhecer e contornar as tantas armadilhas da pós-modernidade, que tenta diante dos nossos olhos nos desligar do mais orgânico de nós mesmos.
E por falar em armadilhas da pós-modernidade, essa discussão é complexa demais para os poucos caracteres que as redes sociais nos permitem compartilhar. Se você quer se aprofundar nessa discussão e entender como a velocidade foi impressa nos impérios modernos, comente o seu endereço de email nessa publicação (por favor, não use o whatsapp, e sim os canais das redes sociais, para ajudar no nosso engajamento!) e receba um texto completo e exclusivo do historiador e mestre em desenvolvimento territorial Marcelo Rocha.
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