28/09/2026
Gatas, tem decisões que a gente toma porque quer. E tem outras que seu corpo decide por você.
Essa é uma delas.
Eu amo tatuar. Amo mesmo. Amo desenhar para uma tela viva, cheia de curvas, que viaja, sorri, chora, gesta uma pessoa. Uma arte viva nesse mundão!
Adoro a atmosfera de uma sessão, a prosa boa, café fresco, amorosidade, respeito, ética e arte. Muita arte. Me preenche de alegria tudo que acontece em volta de uma maca. E ainda me encanta esse negócio meio mágico de alguém entrar e sair daqui diferente, levando na pele uma arte que eu criei pra ela.
E não se preocupe. Isso não está acabando.
Mas eu entendi que sou uma mulher 40+, PCD, com doenças crônicas e dor constante. E precisei finalmente admitir que meu corpo não pode continuar sendo tratado como um imprevisto dentro da minha própria agenda. Na verdade, é ele que rege todo o resto.
Então algumas coisas vão mudar.
Vou tatuar menos pessoas por mês. Vou ter mais intervalo entre as sessões, mais tempo para me recuperar e uma agenda que considere que existem dias em que meu corpo simplesmente exige mais de mim.
E, xuxu, se você quer tatuar comigo, continua me chamando. Bora ficar mais gostosa pelada. Só vai ser importante me chamar com antecedência, porque teremos menos vagas disponíveis.
Mas tem uma parte dessa história que está me deixando particularmente animada.
Porque quando entendi que precisava diminuir uma coisa, comecei a pensar em tudo aquilo que eu não queria diminuir junto.
Minha produção artística.
Minha relação com vocês.
As histórias.
As conversas.
A intimidade.
Essa mistura singular que construí ao longo de tantos anos falando de arte, corpo, gênero e prazer.
E foi daí que nasceu uma ideia. Um desejo.
Na verdade, ela já existia há algum tempo. Só que agora começou a ganhar corpo de verdade. E já existe.
E acho que algumas pessoas que estão aqui há anos vão entender imediatamente por que isso faz tanto sentido.
Massssss… ainda não vou contar. Hahahaha
Mas quero saber uma coisa:
se algo artístico que eu fizer pudesse chegar até você todos os meses, mesmo que você more do outro lado do país, do outro lado do mundo, o que você gostaria de receber?