02/04/2025
1o lugar concurso.
studio e para
Queremos compartilhar as imagens explicando uma das diretrizes que fortemente nos guiou:
MEMÓRIA
A edif**ação que no passado ocupava esse lote construiu um histórico negativo de relação com seus habitantes, e por anos foi sinônimo de importunação e descaso. Poluição, insegurança, ruídos, ações judiciais, falta de comprometimento com o espaço público e moradores.
“Todos os dias acontece a mesma coisa ao redor da Siderúrgica Guaíra. O ar se enche de fumaça avermelhada e por volta das 11 horas da manhã ela é tão densa que não dá para enxergar o outro lado da rua.”
(Trecho do jornal Correio de Notícias, 2 de fevereiro de 1978)
Com esse passado, aprendemos mais com as práticas ruins do que não devemos replicar do que foi observado de valor. Essa proposta de arquitetura é uma contrapartida ao passado.
O que era fechado agora se abre;
O que era negado agora se integra;
O que era oculto agora se exibe;
O que era escuro, agora é luz;
O que tinha ruido, agora são pássaros;
Logo, teve-se como propósito não simbolizar diretamente a materialidade utilizada antigamente na fábrica, mas sim trazer uma sensação global que remeta ao antigo uso fabril do espaço. Os relatos da fumaça avermelhada pelas ruas, bem como da confecção de vergalhões, permaneciam no imaginário da população local e ressignif**am-se aqui (a partir da sua cor) como algo positivo, envolto de árvores, café e uma praça arborizada destinada ao público.
A soltura dos elementos de circulação, o uso de uma marquise metálica de acesso, os perfis metálicos de sustentação dos toldos e guarda-corpos, os tijolos de vidro, os tubos de queda d’água aparentes, as chaminés em aço destacadas compõem com o desenho do edifício e formam, como um conjunto, uma edif**ação nova, contemporânea e que, de alguma forma, transmite essa uma alma fabril. Também extraímos a racionalização dos sistemas construtivos industriais, a ventilação natural, a durabilidade dos componentes e a amplitude dos espaços fabris.