Sei la que nome dar pra isso

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MARACUJÁ COM CAFÉ

Permanentemente fechado.
26/03/2020

Hadson Nery, também conhecido como Hadybala, é um volante aposentado com passagens por clubes como Brasil de Pelotas, Paraná, Paysandu, Remo, Tuna Luso e categorias de base do Corinthians. Mais recentemente, entrou em evidência por ter participado da atual edição do Big Brother Brasil, sendo o terceiro eliminado da casa.

(artigo também disponível em azeri do sul, persa, russo, ucraniano e inglês)

05/05/2019
29/03/2019
17/02/2019

Les will be appearing on the next episode of Ride with Norman Reedus. Tune in tomorrow night at midnight EST/9pm PST on the AMC Network. More show info at http://bit.ly/2BDi9xs

14/02/2019

This just in from Toyah...
"Any excuse to give my sweetheart a pressie!
Happy Valentine’s Day to all ###"

29/06/2018
25/06/2018

(O homem. A lenda. O ideal imorredouro.)

EM DEFESA DO COLÉGIO OU QUEM É MARCO VAN BASTEN?

Pablo

AS CIRCULARES DE DOM LOURENÇO. Se há uma coisa que une as memórias de todos os que passaram pelo Colégio de São Bento nas últimas décadas, essa há de ser o estilo inconfundível das circulares de dom Lourenço. Apesar de se sentir no ar a presença de dom Lourenço como uma matriz que fornecia coesão a tudo no CSB, o reitor não era uma figura facilmente visível no dia a dia do colégio. Não que fosse de todo incomum vê-lo andando pelo quarto andar (onde ficava seu escritório), e ainda havia as ocasiões formais em que ele "religiosamente" se fazia presente, como em seu onomástico (em que sempre se cumpria o ritual de presenteá-lo com algo comprado com a contribuição dos alunos), mas não se pode afirmar que ele fosse acessível. Em geral, a política de dom Lourenço era levada a cabo por seus delegados, os coordenadores (a dona Samaritana para o primário, o professor Cunha para o ginásio e o incansável professor Ferraz para talvez a mais árdua das tarefas, o segundo grau), e, sobretudo, por suas circulares.

Se há um conhecimento que se pode alegar intrinsecamente beneditino, uma espécie de conhecimento iniciático obtido na instituição da Dom Gerardo, é a chave para a leitura das circulares de dom Lourenço. Mais do que o caminho do refeitório para o pátio do terceiro andar passando por dentro da cozinha, ou da divisão do rala-coco entre a sétima e a oitava séries, o conhecimento primordial transmitido às novas gerações de beneditinos era o fato de sempre se poder ler apenas o primeiro e o último parágrafo das circulares.

E elas vinham aos borbotões. Algumas, com data e hora marcada, como a que conclamava todos os anos para a Páscoa dos ex-alunos. Outras, sempre que havia algo na ordem do dia, como a questão do estacionamento de carros de alunos no colégio. Algumas, polêmicas, como a que proibiu o uso de cabelos compridos. Mas todas, invariavelmente, com o estilo inconfundível.

***

O AMBIENTE CULTURAL. A geração que viria a ser imortalizada como “a turma do Milharal” começou a se fazer sentir no colégio de forma progressiva mesmo antes do ano crúcis de 1992. Mas foi nesse ano e no seguinte que sua influência se fez sentir de forma mais decisiva no CSB. Essa foi a época da fundação do Pessoas no Milharal, a época em que dominávamos o grêmio (que, ao contrário da pequeneza dos grêmios politiqueiros e marxistoides que abundam, era um centro de manifestações culturais genuínas, como o sarau) e, sobretudo, o ano em que fizemos o jornal.

O "Jornal do São Bento" é uma tradição beneditina de longa data. No entanto, ao contrário do sarau (que à exceção de curtos períodos de interrupção sempre se manteve um evento anual), o jornal teve uma história bissexta, alternando períodos de ebulição produtiva com períodos de desaparecimento completo, principalmente vinculados ao perfil e à pujança do grupo à frente do grêmio — pois pujança e criatividade com certeza não faltavam ao grupo de 1992-93. Nesse período publicamos poesias, crônicas, entrevistas com professores, tirinhas e charges, mas especialmente o "Em defesa do colégio".

O "Em defesa do colégio" nasceu como a manifestação de uma ideia antiga do grupo, de abordar de forma bem-humorada e irônica o assunto que é, inevitavelmente, o recorrente em toda conversa sobre o CSB: a ausência de meninas. Foi escrito, a oito ou dez mãos (e mais uma miríade de bocas a dar sugestões, críticas e pitacos variados), um artigo em que se defendia a opção de nosso venerando reitor de proibir a entrada de alunas no colégio. A monumental defesa da racionalidade contra os hormônios dos jovens púberes chegava às vezes a confundir o leitor sobre se aquilo era irônico ou se era a ironia da ironia (assim como o homem pode ser ele mesmo o lobo do homem). Não é necessário dizer que o artigo foi um estrondoso sucesso, a ponto de ser publicado, com algumas adaptações, no jornal do Santo Inácio (que decidira aceitar alunas apenas algumas décadas antes). O trabalho coletivo pedia por uma assinatura coletiva (em quase tudo o que a turma produzia, do jornal às camisetas, das manifestações nas passeatas do impeachment ao Dia da Zona, a característica da criação coletiva, do brainstorming e das sessões de sugestões e críticas estava sempre presente), e o texto saiu assinado pela persona pública do movimento: Pessoas no Milharal.

Depois do sucesso inicial, o que, a princípio, era uma iniciativa isolada tornou-se uma série. Decidimos que o "Em defesa do colégio" seria um veículo em que comentaríamos as principais políticas do reitor (sempre expostas pelas circulares), com o mesmo estilo sarcástico e criativo. E assim seguiram-se os "Em defesa do colégio" II e III.

***

O “EM DEFESA DO COLÉGIO III”. Qualquer um que já tenha ultrapassado os portões de um colégio sabe que grande parte de sua vida social revolve em torno dos modismos. Ora é o ioiô de alguma marca de refrigerantes, ora é o pinobol, ou o futebol de botão, mas o certo é que sempre existirá um modismo da vez. Naquele ano da graça de 1993, a onda do momento eram os jogos de RPG. Por algum motivo, dom Lourenço não gostou dessa instância particular (os motivos de dom Lourenço em geral eram pouco acessíveis às mentes não treinadas pelos rituais monásticos beneditinos) e expediu uma circular alertando sobre os males dos jogos à concentração dos alunos durante as aulas, entre várias outras consequências funestas, proibindo sumariamente qualquer espécie de jogo dessa natureza nos intervalos.

Era como jogar um fósforo em um barril de álcool. Uma circular polêmica e impop**ar era tudo por que os autores da coluna ansiavam como matéria-prima. Não tardou até que o "Em defesa do colégio III" fosse publicado. O autor, como sempre, a entidade coletiva autodenominada Pessoas no Milharal. Essa edição, no entanto, trazia uma novidade. Era ilustrada por uma foto, mostrando dois alunos da quinta série abraçados (que, naturalmente, a pedido do fotógrafo, estavam de costas para dificultar a identificação), com a legenda: "Com alguns de seus jogos preferidos proibidos, os alunos buscam outras formas de lazer". Apesar de o fotógrafo ter sugerido ter o nome creditado, trouxemo-lo de volta à razão, e a foto foi publicada com os créditos atribuídos ao célebre goleador dos Países Baixos Marco van Basten.

Os dias seguintes correram sem maiores eventos, a não ser a venda em números sem precedentes da edição do jornal, mas sabíamos que algo não tardaria a acontecer. Novamente podíamos sentir a presença de dom Lourenço, e dessa vez ela não se faria materializar por meio de uma circular.

E o inevitável, como sói, aconteceu. No meio de uma aula de matemática, irrompem porta adentro dom Lourenço, no alto de seu quase século de história, acompanhado pelo professor Ferraz, visivelmente preocupado com a integridade física de seu superior. Em onze anos de CSB, era a primeira vez que víamos dom Lourenço entrar em uma sala de aula e, provavelmente em toda a sua vida, a única vez em que ele foi visto descontrolado. Aquele homem sempre tão articulado, aquele monge sempre parecendo pairar acima dos problemas mundanos, estava desfigurado. As palavras lhe saíam pesadamente da boca, os olhos como se lhe queriam saltar da face. Apesar da confiança (e até de certo cinismo) com que costumávamos lidar com esse tipo de situação, dessa vez, talvez pelo impacto daquela figura cuja imponência inspirou a alcunha de Urubu-Rei agindo de forma tão intempestiva, estávamos mais tensos do que o normal. O silêncio seria total se não fossem os brados do reitor: "Vocês não têm hombridade! Vocês se escondem sob essa alcunha de PESSOAS NO MILHARAL!" — e as palavras saíam pausadas e retumbantes: "Quem é Marco van Basten?! QUEM É MARCO VAN BASTEN?!". Talvez de tudo o que possa ser dito desse dia, nada se compare à eloquência do fato de que, mesmo ao ver a figura máxima da hierarquia do colégio ser vítima de um trote, vivalma sequer esboçou um sorriso. Hoje gargalhamos ao lembrar, mas naquele momento apenas o professor Ferraz discretamente interrompeu o discursante para lhe informar as atividades futebolísticas do acusado. E, ao ver que nenhum bode seria oferecido à imolação, o sacerdote saiu, após proferir a sentença: quinze dias de suspensão para toda a turma, sem direito a apelação.

Talvez pela proximidade do vestibular, talvez pelo fato de ninguém ter clamado por absolvição como talvez secretamente tenha desejado, depois de dois dias a punição foi revogada, mas o impacto daquele dia certamente foi muito maior na história daquelas pessoas em particular e do CSB em geral do que qualquer punição poderia representar. Uma turma tinha conseguido, apenas com o poder da pena, derrubar o soberano absoluto de seu trono, o monge de sua santidade, o mito de seu pedestal. Trazer ao embate com os meros mortais aquele que representava a própria imortalidade.

[PABLO. Em defesa do colégio ou Quem é Marco van Basten?. In: "P**a, p**a, macacada, que amanhã não tem mais nada", 2. ed., 2014. p. 257-262.]

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