05/09/2019
Todos nós vamos sofrer, o choro inicial que saí de nossas gargantas pequeníssimo tempo após nascermos é só o primeiro de muitos dos choros que regrarão nossos jardins,
Joelhos serão ralados,
Cortes se abrirão na pele,
Nossos corações serão quebrados, por alguém em quem confiamos e por ilusões que nós mesmos criaremos,
A dor é um cutucão que nos lembra que sentimos, e sentimos muito, as vezes mais, as vezes menos, mas sempre sentindo,
Somos seres que nunca deixam de sentir, borbulhando com tantas sensações que as vezes somos levados a loucuras inesperadas,
A paixão nos enlouquece,
O amor nos aquece, e as vezes nos parte em muitos pedaços,
Somos carros sem freio em direção a morte,
E perdemos tanto tempo nos perguntando o sentido da vida, quando ele é simplesmente viver da melhor forma que pudermos,
Não precisamos ser grandes, mas podemos ser se isso trouxer felicidade,
Mas a felicidade não nos exige riqueza, beleza ou popularidade,
A felicidade só espera que entendamos que ela é feita de momentos, e por isso deve ser apreciada enquanto cada um dos nossos pequenos carros sem freio aproximam-se do gran finale,
E que a dor faz parte disso,
Termos algo bom, incorre no risco diário da dor da perda,
E perder nos transmuta em migalhas irracionais cambaleando por soluções,
Mas nem sempre precisamos trazer de volta algo bom que partiu,
A vida de variadas formas nos apresentará coisas ainda melhores para habitarem onde há uma dor permeando,
Sofrer também é abrir espaço para esperar que a dor deixe de ser dor, e floresça em algo maior e melhor,
Onde morre uma flor, talvez precisemos de um pé de fruta,
Onde parte uma orquídea, quem sabe precisemos de um grande cacto,
Nem sempre o que queremos, é o que devemos amar e precisamos manter,
Mas aprender a lidar com a partida das coisas boas, e a chegada da dor, é nos manter prudentes para que surja novamente vida onde um sentimento morreu,
Nós somos mutáveis, sempre podemos mais.